Novos estudos ajudam a entender a ligação entre saúde hormonal feminina influencia memória, apetite, fertilidade e escolhas ao longo de toda a vida. E, de uma forma geral, eles também mostram que cada mulher precisa ser avaliada de forma individual.

Da gestação ao planejamento familiar, o organismo passa por transformações importantes e conhecer esse processo ajuda nas decisões sobre cuidados preventivos, contracepção e maternidade. Nesse contexto, a orientação de um profissional de saúde segue sendo indispensável.

Hormônios e a chamada “amnésia da gravidez”

Os hormônios participam de vários processos do corpo feminino e, durante a gestação, as mudanças hormonais podem afetar até a memória e a concentração.

Cientistas do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, estudaram a chamada “amnésia da gravidez” e a pesquisa foi publicada em agosto na revista Science Bulletin. O termo descreve queixas de esquecimento e dificuldade de concentração relatadas por algumas gestantes.  

Em modelos animais, os pesquisadores viram que níveis elevados de estrogênio podem interferir na atividade de neurônios do hipotálamo. Essa região do cérebro está ligada à regulação hormonal. A alteração pode influenciar o hipocampo, estrutura associada à formação e à consolidação das memórias.

Os resultados ajudam a entender uma experiência relatada por muitas gestantes, mas isso não significa que toda dificuldade de memória na gravidez tenha a mesma origem. Na saúde hormonal feminina, é preciso olhar o conjunto de sintomas e as características de cada paciente.

Saúde hormonal feminina e pílulas anticoncepcionais

A relação entre hormônios e alimentação também entra nas pesquisas. Um estudo do JAMA Network Open, que acompanhou 422 mulheres, analisou o uso de pílulas anticoncepcionais combinadas e os episódios de alimentação motivada por fatores emocionais.

Os episódios foram mais frequentes nos dias de uso dos comprimidos com hormônios do que nos dias de pílulas inativas. O resultado, porém, não permite afirmar que o anticoncepcional provoca compulsão alimentar.

Uma das hipóteses envolve a ação dos hormônios sobre áreas do cérebro ligadas ao apetite e à saciedade. Com isso, as oscilações hormonais também podem alterar a fome em diferentes fases do ciclo menstrual.

O estudo avaliou apenas pílulas combinadas monofásicas. Por isso, os dados não valem para todos os métodos contraceptivos nem para todas as mulheres. Ainda assim, mudanças persistentes no apetite ou no comportamento alimentar devem ser discutidas com um profissional de saúde.

Uma mulher com mãos no rosto e expressão de cansada, ilustrando a matéria sobre saúde hormonal feminina. Crédito: Bricolage/Shutterstock

Congelamento de óvulos e planejamento da maternidade

A conciliação entre maternidade e carreira passou a fazer parte do debate sobre planejamento familiar. Como um tipo de solução, a medicina reprodutiva oferece o congelamento de óvulos, que preserva células para uso futuro.

A Espanha anunciou uma iniciativa para financiar o procedimento para jogadoras de futebol e a medida foi vista como uma opção a mais para atletas que querem planejar a maternidade sem abrir mão da carreira nos anos de maior dedicação ao esporte.

O congelamento, no entanto, não garante uma gravidez futura. O resultado depende de fatores como idade, quantidade e qualidade dos óvulos obtidos e condições de saúde.

Além disso, o tratamento também envolve riscos. A estimulação ovariana pode causar a síndrome de hiperestimulação ovariana e, em casos graves, a complicação exige atendimento médico.

Vale destacar que as novas tecnologias ampliam as possibilidades, mas não dispensam decisões individualizadas. Idade, saúde, objetivos pessoais e contexto profissional pesam em cada escolha. Mais opções exigem informação de qualidade e acompanhamento de profissionais habilitados.

Saúde hormonal feminina e o excesso de exames

A prevenção é parte essencial do cuidado, mas fazer mais exames não significa, necessariamente, cuidar melhor. Testes feitos sem critério podem gerar resultados que pedem novas investigações, além de poder causar ansiedade, custos e procedimentos desnecessários.

Em coluna no Portal Drauzio Varella, a médica Mariana Varella destaca que um grande volume de exames não garante, por si só, uma avaliação melhor da saúde. A indicação deve levar em conta histórico clínico, idade, sintomas e orientação médica.

Ainda, o excesso de exames pode produzir falsos positivos. Isso leva a novas investigações e, em alguns casos, a intervenções que não eram necessárias. Por isso, o acompanhamento preventivo deve ser planejado de acordo com as necessidades de cada paciente, inclusive no cuidado com a saúde hormonal feminina


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