Aqui, você não está só é a mensagem central da campanha de Setembro Amarelo do Instituto de Longevidade MAG, que reúne cartilha de acolhimento, consultas psicológicas gratuitas e um webinar especializado para falar sobre saúde mental, cuidado e prevenção ao suicídio.
A campanha parte de uma realidade que nem sempre é fácil perceber: Algumas pessoas seguem trabalhando, estudando, cuidando da família, encontrando amigos e até sorrindo, mas, por trás desses sorrisos, carregam um sofrimento profundo. Por isso, mais do que procurar sinais óbvios, é necessário construir relações em que exista espaço para perguntar, ouvir e pedir ajuda.
Com a ação Aqui, você não está só, o Instituto quer contribuir para ampliar esse cuidado. Afinal, falar de longevidade também é falar de saúde mental, vínculos, dignidade e qualidade de vida em todas as fases da existência.
Imagem: divulgação
O que é o sofrimento psíquico?
Tristeza, medo, frustração, solidão, raiva e ansiedade fazem parte da experiência humana. Sentir emoções difíceis, portanto, não significa, necessariamente, ter um transtorno mental. Nem permite que alguém faça um diagnóstico por conta própria.
Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Cristiane Felipe, especialista em gerontologia, o sofrimento psicológico acontece quando a dor emocional começa a ultrapassar aquilo que a pessoa consegue enfrentar e passa a interferir na forma como ela pensa, sente, se relaciona ou conduz suas atividades.
"Pode acontecer diante de uma perda, uma doença, conflitos familiares, solidão, mudanças importantes na vida, aposentadoria, dificuldades financeiras ou até mesmo sem que a pessoa consiga identificar claramente uma causa", explica.
E sofrimento emocional não deve ser associado a fraqueza, falta de vontade, ingratidão ou “frescura”. Ele merece atenção e acolhimento.
O psicólogo Filipe Colombini sugere observar principalmente três aspectos: intensidade, duração e impacto no cotidiano. “A questão é observar a intensidade, a duração e, principalmente, o quanto esse sofrimento começa a interferir no sono, no trabalho, nos estudos, nas relações, no autocuidado. Ou, ainda, na capacidade de seguir a vida e a rotina do dia a dia”, explica.
A psicóloga Rita Aventurato acrescenta outro ponto importante: não é necessário esperar que a situação se agrave para prestar atenção. “Na verdade, a atenção tem que ser dada o tempo todo”, afirma.
Por que falar sobre isso?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou crescimento da taxa de mortalidade entre 2010 e 2021.
Problemas de saúde mental também têm provocado impactos crescentes no cotidiano profissional. Em 2024, mais de 307 mil trabalhadores brasileiros foram afastados por ansiedade e depressão. O número é mais de três vezes superior ao registrado em 2015.
Cris Felipe ressalta que mudanças podem aparecer de formas diferentes, como irritabilidade, retraimento, queixas físicas ou perda de interesse pelas atividades habituais. “O que mais chama a atenção não é necessariamente um sintoma isolado. É a intensidade, a duração, a combinação de vários sinais e, principalmente, uma mudança significativa em relação ao comportamento anterior da pessoa”, explica.
Sinais de alerta: para quem sente e para quem está por perto
Não existe um único comportamento capaz de determinar que uma pessoa esteja em risco. Por isso, em vez de tentar diagnosticar alguém, vale observar mudanças importantes em relação à maneira como aquela pessoa costumava viver e se relacionar.
Rita Aventurato chama atenção para essa comparação com o próprio padrão. “Não é só o estado de recolhimento da pessoa, ficar acabrunhada, ficar mal-humorada. Às vezes é também a euforia. A euforia também é uma mudança de comportamento e pode significar um desequilíbrio”, diz.
Algumas mudanças que merecem atenção são: isolamento crescente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações importantes no sono e na rotina, dificuldade com o autocuidado, desesperança ou sensação intensa de não ter valor.
Para Rita, um sinal particularmente importante está na qualidade das conexões. Uma pessoa que costumava conversar e deixa de responder, começa a evitar encontros ou progressivamente se distancia pode estar mostrando que algo mudou. “A gente precisa que o outro nos enxergue e também precisa enxergar o outro”, resume.
Cris Felipe também recomenda observar a progressão do sofrimento. Quando as manifestações se tornam mais intensas, persistentes ou começam a comprometer o cotidiano, aumenta a necessidade de cuidado. O importante não é tentar definir sozinho o que a pessoa “tem”, mas perceber que há sofrimento e que pode ser necessário buscar ajuda.
Como ajudar sem julgar
Ao perceber que alguém não está bem, é comum surgir a preocupação de dizer alguma coisa errada. Mas acolher não exige ter uma frase perfeita ou todas as respostas. Para Rita, duas palavras ajudam a resumir o primeiro passo: “Presença, companhia.” Isso significa oferecer tempo e disponibilidade para ouvir, sem transformar imediatamente a conversa em conselho, cobrança ou sermão.
Filipe Colombini reforça que não devemos medir a experiência do outro a partir da nossa própria régua. “Nós enxergamos o acontecimento, mas não necessariamente tudo o que ele representa para aquela pessoa”, afirma.
Uma demissão, por exemplo, pode ser apenas uma transição profissional para alguém e representar perda de segurança, autonomia, identidade e perspectiva de futuro para outra pessoa.
Por isso, expressões como “isso não é nada”, “tem gente em situação pior”, “você precisa reagir” ou “pense positivo” podem aumentar a sensação de incompreensão. Nunca as utilize.
Cris Felipe reforça que duas pessoas podem atravessar acontecimentos semelhantes de maneiras muito diferentes. História de vida, perdas anteriores, condições de saúde, personalidade, rede de apoio e o significado atribuído à experiência influenciam a forma como cada pessoa reage.
Em vez de procurar uma solução rápida, vale perguntar: “Como você está?”; “Quer conversar?”; “Como posso ajudar?” E depois realmente escutar. “Às vezes, a pessoa se sente humana porque alguém a ouviu”, diz Rita.
Apoiar também pode significar fazer algo concreto
Em alguns momentos, a pessoa pode estar tão sobrecarregada que até organizar os próximos passos se torna difícil. Por isso, Filipe lembra que o apoio também pode ser prático. Ou seja, ajudar a encontrar um profissional, acompanhar a pessoa até um serviço de saúde, entrar em contato com alguém de confiança ou permanecer por perto.
E acompanhamento profissional não elimina a importância dos vínculos. Rita alerta para o risco de familiares e amigos simplesmente transferirem todo o cuidado para psicólogos e outros profissionais. Tratamento e relações afetivas cumprem papéis diferentes e podem fazer parte da mesma rede de apoio.
Situações de emergência: o que fazer agora
Nem todo sofrimento psicológico representa uma emergência. Porém, não é preciso esperar uma crise para procurar acompanhamento profissional.
Mudanças persistentes que passam a comprometer o autocuidado, o sono, as relações, o trabalho ou outras atividades cotidianas já podem ser motivo para procurar ajuda.
Há, entretanto, situações que exigem uma resposta imediata. Filipe Colombini orienta que, diante de intenção suicida, planejamento ou risco iminente, a pessoa não deve permanecer sozinha e precisa de avaliação profissional urgente.
Nessas circunstâncias, preservar a segurança é prioridade. E se existe preocupação, é possível perguntar diretamente e com acolhimento se a pessoa está pensando em se machucar ou tirar a própria vida. Perguntar não incentiva o comportamento suicida. Pode, ao contrário, abrir espaço para que a pessoa fale sobre o sofrimento e seja encaminhada ao cuidado adequado.
Aqui, você não está só: ações gratuitas do Instituto de Longevidade
Com a campanha Aqui, você não está só, o Instituto de Longevidade MAG quer transformar informação também em possibilidades de acesso ao cuidado.
Durante o Setembro Amarelo, serão oferecidas 5 mil vagas de atendimento psicológico por 3 meses de forma gratuita mediante cadastro. E a programação contará ainda com um webinar especializado sobre saúde emocional, acolhimento e prevenção ao suicídio.
Além disso, disponibilizamos uma cartilha gratuita para pessoas que compõem a rede de apoio, com orientações mais detalhadas sobre sofrimento psíquico, sinais de alerta, formas de acolher e caminhos para buscar ajuda. Basta acessar www.vocenaoestaso.com.
A iniciativa não substitui acompanhamento psicológico, médico ou atendimento de emergência. O objetivo é oferecer informação responsável, contribuir para reduzir estigmas e facilitar o acesso a redes de apoio.
Com Aqui, você não está só, reafirmamos que cuidar da saúde mental também faz parte da longevidade. Também ressaltamos que, em diferentes momentos da vida, todos nós podemos precisar de cuidado. Da mesma forma, podemos ser quem oferece presença, escuta e apoio.
Precisa de ajuda ou quer ajudar alguém?
Não espere necessariamente uma crise para procurar suporte. Converse com alguém de confiança e procure atendimento profissional quando o sofrimento começar a dificultar o cotidiano.
Se você está preocupado com alguém, aproxime-se sem julgamento, escute e ajude essa pessoa a encontrar apoio.
- Mapa da saúde mental - Encontre locais de atendimento gratuito em saúde mental em diferentes regiões do Brasil. http://mapasaudemental.com.br
- Mapa do acolhimento - Serviço de apoio para mulheres que estão passando por situações de violência. Oferece apoio psicológico e jurídico. http://mapadoacolhimento.org
- CAPS - Centro de atenção psicossocial - Serviço público de saúde mental do SUS. Oferece acolhimento, acompanhamento e cuidado para pessoas em sofrimento psíquico. Procure o CAPS de referência da sua região inclusive em situações de crise.
- PA/Pronto-socorro psiquiátrico - Serviço de urgência especializado em saúde mental para situações de crise que precisam de avaliação e atendimento presencial imediato.
- UPA 24h - Unidade de Pronto Atendimento do SUS disponível 24 horas para situações de urgência e emergência. Em uma situação de crise, procure a UPA mais próxima.
- SAMU-192 - Em situações de emergência ou quando houver risco imediato à integridade física, ligue 192.
- Corpo de bombeiros - 193 - Em situações de emergência que exijam intervenção imediata para garantir a segurança da pessoa, ligue 193.
- CVV-188 - O CVV oferece apoio emocional e escuta por meio de voluntários, 24 horas por dia, pelo telefone 188.
O CVV não é um serviço de emergência. Em situações de risco imediato, procure um serviço de emergência ou ligue 192. - Espaço Amarelo - Clínica especializada em prevenção do suicídio e portal de informações sobre saúde mental, com atendimento psicológico, orientação familiar, direcionamento e supervisão para profissionais. Atendimento em português e inglês. Instagram: @espaco_amarelo | WhatsApp: (71) 9 9996-9191
