Quais as capitais com mais idosos do que crianças no Brasil? Antes de contarmos, é importante ressaltar que o envelhecimento da população brasileira já pode ser observado de forma clara em algumas das maiores cidades do país. 

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgada nesse ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que quatro capitais brasileiras passaram a ter mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de até 17 anos.

Essas capitais são: Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Natal (RN). O levantamento revela como a mudança na estrutura etária da população brasileira já começa a se refletir no perfil das cidades.

Porto Alegre é uma das capitais com mais idosos

Foto: Bydronevideos/shutterstock

Saiba mais sobre as capitais com mais idosos

Entre as quatro capitais com mais idosos, o Rio de Janeiro reúne cerca de 1,5 milhão de moradores com 60 anos ou mais. A população de crianças e adolescentes soma aproximadamente 1,3 milhão.

Porto Alegre registra cerca de 355 mil pessoas idosas e 319 mil crianças e adolescentes. Em Florianópolis, são aproximadamente 126 mil idosos e 119 mil jovens. Já Natal contabiliza cerca de 152 mil moradores com 60 anos ou mais. Jovens de até 17 anos somam 148 mil pessoas.

Embora apenas quatro capitais tenham ultrapassado essa marca até agora, outras cidades também apresentam uma estrutura etária cada vez mais envelhecida. Vitória aparece praticamente em situação de equilíbrio entre os dois grupos, enquanto Belo Horizonte e Curitiba também figuram entre as capitais com população relativamente mais idosa.

O envelhecimento da população é uma tendência nacional

A realidade observada nessas capitais acompanha uma transformação que ocorre em todo o Brasil. O país continua crescendo em número de habitantes, mas em ritmo cada vez menor. Em 2025, a população residente chegou a 212,7 milhões de pessoas. Trata-se de um aumento de 0,39% em relação ao ano anterior. Desde 2021, a taxa anual de crescimento permanece abaixo de 0,60%.

Ao mesmo tempo, a participação dos brasileiros mais velhos vem aumentando. Entre 2012 e 2025, o percentual de pessoas com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6% da população. No mesmo período, diminuiu a participação das faixas etárias mais jovens, especialmente entre os menores de 40 anos.

Essa mudança também aparece na pirâmide etária brasileira. Enquanto a base, formada pelas faixas mais jovens, se estreitou ao longo dos últimos anos, o topo ficou mais amplo, refletindo o crescimento da população idosa.

Diferenças entre as regiões permanecem

Os dados da PNAD também mostram que o envelhecimento ocorre de maneira diferente entre as regiões brasileiras. Norte e Nordeste ainda concentram as maiores proporções de população jovem. Já Sudeste e Sul apresentam os maiores percentuais de pessoas com 60 anos ou mais. Em ambos há cerca de 18% da população nessa faixa etária.

Esse contexto ajuda a explicar por que três das quatro capitais com mais idosos estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste. Porém, Natal demonstra que essa mudança também já alcança outras partes do país.

O que esses dados indicam para as cidades?

O fato de algumas capitais terem mais idosos do que crianças e adolescentes evidencia uma mudança importante no perfil da população brasileira. À medida que cresce a participação das pessoas com 60 anos ou mais, aumenta também a necessidade de planejamento para atender às demandas de uma sociedade que envelhece.

Questões relacionadas à mobilidade, acessibilidade, moradia, saúde e oferta de serviços públicos tornam-se cada vez mais relevantes nesse cenário. O avanço do envelhecimento populacional reforça a importância de acompanhar como as cidades estão se preparando para responder às necessidades de uma população com perfil demográfico em transformação.

Envelhecimento exige olhar para duas frentes

Para a médica gerontóloga Andrea Prates, o envelhecimento da população exige um olhar para duas frentes. A primeira diz respeito ao aumento do número de pessoas idosas. Ou seja, exige cidades e serviços preparados para essa realidade. A segunda envolve as gerações que ainda estão envelhecendo e que precisam de ações preventivas para chegar à velhice com mais saúde e qualidade de vida.

Segundo a especialista, muitas condições que se manifestam na velhice começam a se desenvolver décadas antes. "É o caso das doenças crônicas, por exemplo. Elas começam em faixas mais precoces. Por isso é preciso ampliar programas de promoção de saúde. Não se trata apenas de cuidar de doenças. Trata-se de envelhecer com saúde e qualidade de vida. É algo complicado quando se trata de um país com uma desigualdade imensa, mas é preciso que pensemos nisso desde já", afirma.

Andrea Prates também destaca a importância de fortalecer a atenção primária à saúde, ampliando a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio dos programas de medicina de família. Outro ponto, segundo ela, é criar condições para que as pessoas com mais de 60 anos permaneçam ativas no mercado de trabalho, aproveitando sua experiência e conhecimento. "Se o Brasil não aproveitou o bônus demográfico, é preciso criar uma nova cultura com relação ao trabalho, estimulando-se a extensão da vida produtiva das pessoas 60+", avalia.


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