Em 2024, o número de afastamento por ansiedade e depressão bateu recorde no Brasil. Foram registrados mais de 307 mil casos no ano, segundo dados do Ministério da Previdência. Há uma década, em 2015, o total era de cerca de 90 mil. Ou seja, o número triplicou em apenas 10 anos.

Se somados aos afastamentos por outras doenças mentais, o total ultrapassa 440 mil registros. Os dados chamam atenção para uma realidade cada vez mais comum no ambiente de trabalho: o impacto da saúde mental na rotina profissional.

Afastamento por ansiedade e depressão reflete mudanças no trabalho

A médica do trabalho e psiquiatra Leticia Trés explica que a forma como o trabalho é organizado também tem peso. “Pouca flexibilidade, dependendo da área da pessoa. Excesso de trabalho. Então tudo isso acaba impactando”, afirmou, em entrevista a Agência Brasil.

Ela aponta que o crescimento do afastamento por ansiedade e depressão não se deve apenas ao aumento dos casos, mas também à maior procura por diagnóstico e tratamento. "Também começamos a ter mais notificação e falar mais sobre assunto. Então isso também faz com que as pessoas procurem atendimento, coisa que anteriormente era menor", aponta.

O professor de Psiquiatria da USP, Wagner Gattaz, destaca que o ambiente de trabalho melhorou nos últimos anos. Ainda assim, ele acredita que é necessário investir em treinamento. “Para os trabalhadores aprenderem a manejar melhor o estresse do dia a dia e também para as lideranças diminuírem com base em ciência e pesquisa o desgaste no ambiente de trabalho. Com isso nós estaremos fazendo não só o tratamento mas a prevenção em saúde mental no ambiente de trabalho”, comenta.

Um homem com as mãos na cabeça,  sentado em uma mesa de escritório cheia de livros e papéis, sobrecarregado de trabalho. Imagem para ilustrar a matéria sobre afastamento por ansiedade e depressão. Crédito: OtmarW/Shutterstock

Preconceito e falta de compreensão agravam a situação

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo, aponta o preconceito como uma barreira. “Nós sabemos que o preconceito contra quem tem doença mental é muito grande. Se ela tiver, dá trabalho, perde o emprego”, comenta.

Segundo ele, o sinal mais importante de que é hora de buscar ajuda é a mudança de comportamento. Quando isso interfere no trabalho ou na vida, pode indicar afastamento por ansiedade e depressão.


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