Imagine chegar aos 60 anos e, em vez de ouvir que “já deu a sua hora”, ser exatamente o perfil mais procurado para liderar uma das maiores empresas do mundo. Pois é isso que está acontecendo nos Estados Unidos — e a tendência é deliciosa!
Segundo um estudo recente do National Bureau of Economic Research (NBER), que analisou mais de 50.500 executivos entre 2000 e 2023, a idade média dos CEOs americanos subiu de 51 para 61 anos. A idade média na hora da nomeação também pulou de 48 para 55 anos. Ou seja: os “sessentões” não só estão no poder, como estão virando a nova norma.
E o melhor: isso não é sinal de conservadorismo ou resistência à mudança. É exatamente o contrário!
As empresas estão percebendo que as habilidades mais valiosas hoje — visão generalista, capacidade de lidar com complexidade, tomada de decisão sob incerteza, coordenação de equipes e experiência acumulada em diferentes cenários — simplesmente não se constroem da noite para o dia. Elas são fruto de trajetórias longas, ricas e cheias de aprendizados. Trajetórias que florescem com o tempo.
John Ternus, o novo CEO da Apple, entrou na empresa há 25 anos e assumiu o cargo aos 50. Mas a tendência geral mostra que o mercado está cada vez mais valorizando quem traz um repertório amplo e profundo. Executivos que já passaram por diferentes setores, enfrentaram crises, lideraram transformações e aprenderam com erros e acertos ao longo das décadas estão sendo premiados.
E sabe o que mais me encanta nisso? Essa valorização da maturidade é uma celebração da longevidade ativa e da sabedoria construída com o tempo. É a prova de que experiência não é peso morto — é combustível de alto octanagem para a inovação e a liderança eficaz.
Os pesquisadores observam ainda que líderes mais experientes tendem a ser mais avessos a riscos desnecessários, mas isso não significa timidez. Significa inteligência emocional e estratégica para navegar em ambientes de alta incerteza — exatamente o que o mundo dos negócios exige hoje. Eles são mais capazes de aproveitar oportunidades, lidar com ambiguidades e, pasmem, trabalhar de forma inteligente com tecnologias como a inteligência artificial, usando suas habilidades humanas insubstituíveis de coordenação, adaptação e julgamento.
Enquanto alguns ainda associam juventude automaticamente a inovação, o mercado está mostrando, com dados na mão, que a combinação de energia com experiência profunda costuma ser imbatível. E quando essa experiência vem acompanhada de vitalidade, curiosidade e disposição para continuar aprendendo, o resultado é ainda mais poderoso.
Aqui no Brasil, onde a expectativa de vida também segue aumentando, essa notícia americana chega como um sopro de otimismo. Mostra que os anos adicionais de vida não são apenas para “descansar”, mas podem ser o momento em que entregamos o nosso melhor — com mais clareza, mais resiliência e mais capacidade de impactar positivamente o mundo ao nosso redor.
Então, se você está na casa dos 50, 60 ou além, saiba: o mundo dos negócios (e da vida) está começando a entender o que nós, que valorizamos a longevidade, sempre soubemos: o melhor ainda pode estar por vir. A sabedoria não envelhece. Ela amadurece, ganha profundidade e, quando bem cultivada, se torna cada vez mais valiosa.
Que venham mais sessentões (e setentões!) inspiradores no comando. A mesa está posta para quem viveu, aprendeu e continua cheio de gás para liderar.
E você? Está preparando sua próxima grande fase com alegria e propósito?
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