Dizem que a maturidade chega para todos, mas a forma como a recebemos varia entre um chá de ervas e uma taça de Bordeaux. Se você está sentindo que o corpo deu aquela "assentada", relaxe. Como diria Arthur Schopenhauer, os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto; os próximos trinta são apenas o comentário. E, convenhamos, quem não adora uma boa fofoca ou uma nota de rodapé bem apimentada sobre a própria história?

Para ajudar nessa escalada, separei algumas pílulas de sabedoria (que não precisam de receita médica):

O olhar de cima

Ingmar Bergman comparava o envelhecer a escalar uma grande montanha. É verdade que as forças diminuem e o joelho dá aquele estalo digno de um filme de suspense, mas a contrapartida vale a pena: o olhar fica mais livre, a visão mais ampla e o espírito muito mais sereno. Lá de cima, a gente percebe que metade das coisas pelas quais nos desesperávamos eram apenas nuvens passageiras.

Rapidez e teimosia

Se alguém ousar dizer que você está "velho demais" para algo, faça como Pablo Picasso: tente fazer essa coisa ainda mais rápido! Afinal, a pressa agora não é ansiedade, é otimização de tempo. E se aparecerem rugas? Montaigne já avisava que as rugas do espírito nos fazem muito mais velhos que as do rosto. Hidratante ajuda na pele, mas o que mantém o espírito esticado é a curiosidade.

O clube dos desconfiados

Se você olha para os jovens de hoje com uma sobrancelha levantada, saiba que está em boa companhia. William Shakespeare resumiu bem o sentimento: os velhos desconfiam dos jovens justamente porque já foram jovens e sabem exatamente o que eles estão aprontando (ou pensando em aprontar).

O pacto e a esperança

Para viver bem essa fase, André Maurois nos lembra que a grande arte é preservar alguma esperança. E se o silêncio bater à porta, não se assuste. Gabriel García Márquez dizia que o segredo de uma boa velhice é um pacto honrado com a solidão — aquela que não dói, mas que nos permite ouvir nossos próprios pensamentos sem interrupções

O cardápio da longevidade

Para fechar com chave de ouro, fiquemos com o "kit sobrevivência" de Émile A. Faguet. Segundo ele, existem cinco coisas antigas que são imbatíveis:

  1. Pessoas sábias para nos guiar.
  2. Velhos amigos para as melhores conversas.
  3. Velha lenha para aquecer o corpo.
  4. Livros antigos para ler e reler.
  5. Velhos vinhos para beber (porque ninguém é de ferro).Envelhecer pode até ser obrigatório, mas ficar ranzinza é opcional. Saúde e bons vinhos!

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