Caros amigos e amigas do Instituto de Longevidade MAG,

Um ano de eleição é um momento auspicioso para qualquer país democrático. Em particular, em se tratando de eleições federais. No cenário ideal, deveríamos estar discutindo o Brasil de nossos sonhos.

E discutir o que queremos ser passa, indispensavelmente, por refletir sobre o que nos impediu de alcançar nossas aspirações até o momento, de um lado; e por propor soluções para remoção de tais barreiras, de outro, a fim de progredir mais rapidamente em direção aos nossos objetivos.

Nestes termos, quer o indivíduo tenha uma visão de maior intervenção do Estado, quer ele acredite que a busca por respostas às demandas sociais deva se dar por meio da oferta de soluções privadas, há fatos contra os quais não há argumentos. Cito três, abaixo.

A riqueza é um fator do trabalho. Trabalho este que pode ser realizado por pessoas, máquinas, computadores; que pode ser potencializado pela injeção de capital ou pela abundância de recursos naturais; que pode ser braçal ou intelectual; que pode ocorrer de modo formal ou informal. Mas, essencialmente: sem trabalho não há produção de riqueza.

À média de riqueza gerada por trabalhador em um dado período se dá o nome de produtividade. A produtividade é amplificada ou reduzida por uma ampla variedade de fatores, como os setores da economia onde há mais trabalhadores, o nível de qualificação médio, o ambiente regulatório. Aqui cabe ampla discussão sobre os porquês, mas não sobre o fato: a produtividade do trabalhador brasileiro está estagnada há décadas.

Há circunstâncias especialmente oportunas para o crescimento econômico. Algumas são frutos de eventos ao menos parcialmente inesperados, como o ciclo da commodities, que empurrou a economia brasileira na primeira década do século XXI. Outras são, pelo contrário, perfeitamente previsíveis. Por exemplo, o bônus demográfico.

O bônus demográfico é o potencial de geração de riqueza representado por uma estrutura etária populacional majoritariamente composta por jovens adultos e em expansão. Com proporcionalmente muitos mais indivíduos em idade de trabalhar do que o contrário, o bônus demográfico é um momento favorável à formação de poupança (leia-se riqueza). A questão é que esta expansão da força empregável não se dá indefinidamente, por óbvio, e o país começa a envelhecer.

Aqui chegamos à longevidade. E à discussão do início deste artigo. O Brasil está envelhecendo. E, uns anos mais atrás, ou poucos mais à frente – as interpretações técnicas divergem – o bônus demográfico já se deu ou está no fim. No entanto, não

nos tornamos um país de alta renda. E agora? O que queremos ser? Que projeto vamos discutir em 2026? A resposta deveria vir de uma evolução do conceito de bônus demográfico.

Com o envelhecimento da população, surgem duas novas janelas de oportunidade. A primeira: com uma menor proporção de jovens, os investimentos em educação per capita aumentam. Se antes um montante de recursos deveria ser alocado na educação de, digamos, 10 milhões de estudantes, agora o mesmo valor vai financiar 5 milhões, por hipótese. Com uma boa gestão, este cenário pode levar ao aumento da produtividade do trabalhador.

A segunda: com um envelhecimento mais saudável e ativo, e com políticas corporativas e educacionais adequadas, os trabalhadores mais velhos podem colaborar por mais tempo. Isto vem em socorro das necessidades financeiras e intelectuais destes mais velhos, bem como de um mercado de trabalho que disputará novos colaboradores jovens de forma acirrada.

As duas soluções apontadas acima, tecnicamente conhecidas como segundo e terceiro bônus demográfico, respectivamente, configuram um tema sério e relevante para o desenvolvimento do país. Qual dos candidatos se habilita? Acompanhemos e cobremos seriedade.

Cordialmente,

Nilton Molina

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