Existe uma ideia bastante difundida de que o coração avisa quando algo não vai bem. Sinais como dor no peito, falta de ar, palpitações, mal-estar súbito, cansaço excessivo podem realmente apontar uma disfunção cardíaca. Entretanto, essas manifestações nem sempre acontecem.
Em muitos casos, o coração adoece de forma silenciosa, sem dar indícios claros, enquanto alterações importantes se instalam lentamente no organismo. Esse silêncio não é sinal de segurança. Pelo contrário: ele costuma ser o principal motivo pelo qual doenças cardiovasculares são diagnosticadas tardiamente.
O avanço silencioso das doenças cardiovasculares
Hipertensão arterial, alterações no colesterol, acúmulo de placas nas artérias coronárias (vasos que irrigam o coração), disfunções do músculo cardíaco e algumas arritmias podem evoluir durante anos sem provocar sintomas perceptíveis.
O corpo se adapta às mudanças graduais, compensando esforços e mascarando sinais que poderiam servir de alerta precoce. Enquanto isso, o coração trabalha sob condições cada vez mais desfavoráveis. Vasos se tornam menos flexíveis, a circulação perde eficiência, o órgão é sobrecarregado e o risco cardiovascular aumenta.
A falsa sensação de normalidade
A ausência de sintomas cria assim uma sensação enganosa de controle. Sem dor ou desconforto, é comum adiar consultas, negligenciar exames de rotina e minimizar fatores de risco como pressão elevada, sedentarismo, estresse crônico, excesso de peso, tabagismo, consumo de álcool ou alimentação inadequada.
O problema é que, quando o primeiro sintoma surge, ele nem sempre é leve. Muitas vezes, a manifestação inicial já ocorre na forma de um evento agudo, como um infarto do miocárdio, um acidente vascular cerebral (AVC) ou o início de uma insuficiência cardíaca.
Crédito: PeopleImages/Shutterstock
Prevenção não pode esperar sintomas!
A prevenção cardiovascular começa muito antes de qualquer sinal clínico. Avaliações periódicas permitem identificar alterações ainda em fases iniciais, quando mudanças no estilo de vida e intervenções simples têm impacto significativo na redução de riscos.
Controlar a pressão, acompanhar os níveis de colesterol e glicemia, manter uma rotina de atividade física, cuidar da alimentação, do estresse e da saúde mental como um todo são estratégias que protegem o coração mesmo quando ele parece estar funcionando bem.
Compromisso contínuo
Nem todo problema se anuncia com dor ou mudanças físicas perceptíveis. Muitas vezes, os alertas estão nos exames, nos hábitos e no histórico familiar. Entender que o coração pode adoecer em silêncio muda a forma como encaramos a saúde cardiovascular. Ouvir o corpo é importante, mas dar atenção aos exames e manter acompanhamento médico regular é essencial para cuidar do coração antes que ele precise pedir socorro.
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