Por Roberto Dranger
O sucesso inicial de uma empresa é, quase invariavelmente, fruto da energia e da visão de seu fundador. No entanto, o mercado de capitais brasileiro tem observado que o crescimento sustentável de uma operação exige uma transição importante: a evolução da liderança intuitiva para a gestão institucional. Esse movimento é uma etapa natural e necessária do ciclo de vida de qualquer negócio que busca escala.
No estudo The Founding CEO’s Dilemma, o professor Noam Wasserman, da Harvard Business School, explora como a mudança de competências exigidas pela empresa ao longo do tempo cria a necessidade de novos perfis de liderança. O desafio não é substituir a visão do criador, mas cercá-la de processos que permitam que a empresa cresça sem perder a eficiência.
O desafio da escalabilidade industrial
Quando uma empresa ultrapassa a fase de validação e entra no estágio de scale-up, ela se depara com o que a consultoria McKinsey Company chama de desafio da escalabilidade industrial. O modelo de gestão que funciona com 20 colaboradores precisa ser repensado quando a estrutura chega aos 200. É nesse ponto que a centralização, antes uma virtude de agilidade, pode começar a gerar gargalos na tomada de decisão.
Para garantir que a rentabilidade acompanhe o faturamento, a profissionalização da gestão torna-se o caminho mais seguro. Segundo a pesquisa Intertwined: Family Management, Governance, and Performance do Boston Consulting Group (BCG), empresas que equilibram o espírito empreendedor com estruturas de governança robustas apresentam margens de lucro superiores e maior resiliência aos ciclos econômicos. No Brasil, o relatório do IBGC sobre startups e scale-ups indica que a adoção de boas práticas de gestão é um dos fatores que mais facilitam o acesso a novas rodadas de capital e parcerias estratégicas.
Crédito: GaudiLab/Shutterstock
A institucionalização como aliada da visão
O mercado tem evoluído para modelos de colaboração onde executivos experientes atuam ao lado dos fundadores para estruturar os alicerces operacionais da companhia. Essa abordagem de gestão compartilhada ou interina foca em três pilares para preparar a empresa para o próximo nível de valuation:
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Estruturação de processos financeiros: Implementar controles que garantam a saúde do fluxo de caixa e a transparência na alocação de recursos, separando claramente as esferas societária e operacional.
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Monitoramento por indicadores: Substituir a gestão por percepção por rituais baseados em dados (KPIs), permitindo que o fundador foque na estratégia enquanto a operação roda com previsibilidade.
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Preparação para o mercado: Organizar a casa sob os padrões de governança exigidos por auditores e investidores de Private Equity, aumentando a competitividade da empresa em processos de fusões e aquisições (MA).
Sistemas que potencializam talentos
A transição para uma gestão profissionalizada não significa burocratizar o negócio, mas sim criar sistemas que protejam o legado do fundador. Como destaca Ray Dalio, da Bridgewater, em seus Princípios, o objetivo é construir máquinas organizacionais onde as pessoas certas e os processos certos gerem resultados consistentes.
O sinal de maturidade que os investidores buscam hoje é a capacidade de uma empresa ser maior do que seus indivíduos. Ao adotar uma gestão técnica e processual, o fundador não está perdendo o controle, mas sim ganhando a liberdade necessária para levar sua visão ainda mais longe, ancorada em uma base operacional sólida e escalável.
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