Um estudo realizado com 526 voluntários de cinco cidades brasileiras comprovou a eficácia de 100% no uso de antirretrovirais para prevenir a contaminação pelo vírus do HIV. Durante o período de análise, nenhuma das pessoas que participaram da Prep (terapia pré-exposição) tomando os medicamentos contraiu a doença.

Com financiamento do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, CNPq e Unesco, o “Combina”, como foi batizado o estudo, trouxe uma surpresa com relação à motivação dos participantes: qualidade de vida é o principal objetivo.

A Prep é indicada, não para quem já possui o vírus do HIV, mas para grupos de maior vulnerabilidade para contágio, como homossexuais, transexuais, profissionais do sexo e casais em que apenas um dos parceiros é soropositivo. A ideia é que a prevenção seja feita por meio da combinação entre várias estratégias, incluindo o uso de preservativos. Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento não evita a contaminação por algumas DSTs, como a sífilis. Por isso, os usuários são orientados a não abandonar o uso da boa e velha camisinha.

Autoridades de saúde pública de todo o país há tempo alertam para aumento no número de casos de HIV na terceira idade na última década. Segundo os dados divulgados na página do Ministério da Saúde, 5% dos homens com mais de 65 são portadores do vírus HIV, o que representa um aumento de 103% no mesmo período.

Pandemia do novo coronavírus reduz testes de HIV e atrasa tratamento

Com todos os recursos do ministério e de secretarias de Saúde destinados ao combate à Covid-19, o que se vê é uma redução expressiva na solicitação de testes e nas ações de prevenção à contaminação pelo vírus HIV. O alerta foi feito em junho deste ano pelo Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde.

O departamento também chamou a atenção para a diminuição de 17% no número de pessoas que começaram a terapia antirretroviral em relação ao mesmo período no ano passado.

Especialistas acreditam que a queda nos números também possa ter acontecido pelo receio de pacientes infectados com HIV ou que já tenham desenvolvido Aids saírem de casa, seja para a realização de consultas, seja para receber os medicamentos nas unidades de saúde.

Um estudo conduzido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em países da África Subsaariana estima que a interrupção por um semestre do tratamento de pacientes com HIV pode acarretar a morte de aproximadamente 673 mil pessoas com a doença.  

Winnie Byanyima, diretora executiva da Unaids, o programa das Nações Unidas de combate ao HIV/Aids, diz que a Covid-19 não pode ser uma desculpa para desviar investimentos.

“O direito à saúde significa que nenhuma doença deve ser combatida à custa de outra", alertou.

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