A menopausa é uma fase natural da vida da mulher. Ela pode vir acompanhada de sintomas físicos, emocionais e cognitivos que impactam de forma significativa a qualidade de vida. Ondas de calor, insônia, alterações de humor, queda de energia, mudanças na memória e no sono estão entre as queixas mais comuns. Nesse contexto, a reposição hormonal na menopausa segue como um dos temas mais debatidos na ginecologia.

Para esclarecer o que a ciência mostra hoje, quando a terapia é indicada e quais cuidados devem ser considerados, o Instituto de Longevidade ouviu a ginecologista Dra. Maria Cristina Santoro Biazotti, especialista em Medicina Reprodutiva.

Dra Maria Cristina fala sobre reposição hormonal na menopausaCrédito: Caca Santoro

O que é a reposição hormonal na menopausa e por que ela é indicada?

Segundo a Dra. Maria Cristina, “a terapia de reposição hormonal é considerada para mulheres na menopausa porque essa fase é marcada por uma queda significativa na produção de estrogênio e progesterona, hormônios fundamentais para o equilíbrio de diversos sistemas do corpo feminino”.

A médica explica que essa redução hormonal está diretamente relacionada a sintomas que vão muito além do desconforto momentâneo. “Essa redução hormonal é responsável por sintomas que podem afetar de forma importante a qualidade de vida e a saúde a longo prazo”, afirma.

O objetivo da reposição é justamente minimizar esses impactos. “A TRH tem como objetivo repor parcial ou totalmente esses hormônios, aliviando sintomas e prevenindo algumas consequências da deficiência estrogênica, especialmente quando iniciada nos primeiros anos após a menopausa”, explica a especialista.

Benefícios da reposição hormonal na menopausa

Quando bem indicada, a reposição hormonal na menopausa pode trazer benefícios importantes. Entre eles estão o alívio das ondas de calor e dos suores noturnos, a melhora do sono, da disposição, da saúde vaginal e a preservação da massa óssea.

Na prática clínica, a Dra. Maria Cristina observa também efeitos positivos no bem-estar mental. “Observamos que muitas mulheres relatam melhora da memória, da atenção, do sono e do bem-estar mental quando iniciam a terapia hormonal no período próximo à menopausa, o que chamamos de ‘janela de oportunidade’”, relata.

Ela reforça, no entanto, que a terapia hormonal não deve ser encarada como solução universal. “Embora a terapia hormonal não seja indicada como tratamento para demência, por exemplo, há evidências de que, quando iniciada precocemente, pode ter efeito neuroprotetor, ajudando a preservar funções cognitivas e reduzindo queixas como ‘névoa mental’ e lapsos de memória”.

Reposição hormonal na menopausa: quais são os possíveis efeitos colaterais?

Apesar dos benefícios, a terapia de reposição hormonal pode estar associada a efeitos colaterais, principalmente no início do tratamento. A Dra. Maria Cristina destaca que, em geral, esses efeitos são leves e transitórios.

Entre os mais comuns estão sensibilidade ou dor mamária, náuseas, retenção de líquidos, cefaleia e sangramentos uterinos irregulares nos primeiros meses. Segundo a especialista, “esses efeitos costumam melhorar com ajustes de dose ou mudança da formulação”.

Além dos efeitos iniciais, existem riscos potenciais que precisam ser avaliados caso a caso. A médica explica que esses riscos variam conforme o tipo de hormônio, a dose, a via de administração, o tempo de uso e o perfil individual da paciente.

No caso do tromboembolismo venoso, por exemplo, “o risco pode ser discretamente aumentado, principalmente com estrogênios orais”. Ela ressalta que esse risco é menor quando se utilizam doses mais baixas, vias não orais, como a transdérmica, e em mulheres sem fatores de risco prévios.

Sobre o câncer de mama, a Dra. Maria Cristina esclarece que “o risco pode aumentar levemente com o uso prolongado de estrogênio combinado com progestagênio especialmente após cinco anos de uso contínuo”. Já o estrogênio isolado, indicado apenas para mulheres sem útero, “não demonstra o mesmo aumento de risco e, em alguns estudos, mostrou risco neutro ou discretamente reduzido”.

Existe um momento ideal para iniciar a reposição hormonal na menopausa?

Segundo a Dra. Maria Cristina, as evidências atuais apontam para uma chamada “janela de oportunidade”. “O tratamento tende a ser mais seguro e eficaz quando iniciado antes dos 60 anos ou até 10 anos após o início da menopausa”, explica.

Nesse período, a reposição hormonal na menopausa apresenta melhor perfil de segurança cardiovascular. Também apresenta maior eficácia no controle dos sintomas e melhor preservação da massa óssea. Fora dessa janela, os riscos podem superar os benefícios, tornando a avaliação individual ainda mais essencial.

Reposição hormonal na menopausa precisa ser tratada individualmenteCrédito: Dmytro Zinkevych/Shutterstock

Terapia hormonal e cognição: o que mostram os estudos

Embora a Organização Mundial da Saúde não tenha diretrizes específicas sobre os impactos cognitivos da terapia hormonal, a Dra. Maria Cristina lembra que as principais recomendações vêm de sociedades médicas internacionais.

“Na prática clínica, observamos benefícios cognitivos subjetivos relevantes em mulheres bem selecionadas, sempre dentro de uma avaliação individualizada de riscos e benefícios”, afirma.

Estudos recentes, como uma grande análise com mais de um milhão de mulheres publicada na revista The Lancet Healthy Longevity, indicam que a terapia hormonal não altera de forma consistente o risco de demência. E sugerem que a reposição hormonal na menopausa não deve ser prescrita com o objetivo de prevenir demência, mas sim para tratar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Avaliação individual é indispensável

Antes de iniciar a reposição hormonal na menopausa, a Dra. Maria Cristina destaca que é essencial analisar cuidadosamente o histórico de cada mulher. Devem ser considerados fatores como histórico pessoal e familiar de câncer, doenças cardiovasculares, trombose, idade, tempo desde a menopausa, estilo de vida e presença de doenças metabólicas.

Esses elementos ajudam a definir se a terapia é segura, qual tipo de hormônio utilizar, a melhor via de administração e a menor dose eficaz.


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