A volta ao trabalho é uma realidade para muitos profissionais. Ao mesmo tempo em que a flexibilização do isolamento trouxe mais liberdade de ir e vir, também veio acompanhada de medos e inseguranças. Muitos se perguntam até que ponto essa retomada em algumas cidades é segura e o que mais podem fazer para se proteger da ainda ameaçadora Covid-19. 

Um possível alívio para essas dúvidas é o fato de que muito pode ser feito para se proteger. Uma provável angústia: o maior desafio à segurança pode ser você. “Hábitos repetidos durantes anos não são fáceis de mudar”, explica Lucia Sônego, supervisora operacional da Shades Studio, rede que se readequou para voltar a funcionar na capital paulista.  

Essa percepção da executiva veio no dia a dia. Implementar (muitas) medidas, como rotinas de limpeza, regras para uso da copa e protocolos de atendimento, tem demandado empenho de todos e treinamentos intensivos. “É uma questão de tempo, logo os novos procedimentos entrarão em ‘piloto automático’”, diz ela, acrescentando que todos os dias, meia hora antes da abertura, a equipe recapitula as práticas. “Nosso entendimento é que educação e orientação constantes são a chave para garantir a segurança de todos – profissionais e clientes." 

Para Alexandre Pierro, sócio-fundador da consultoria de inovação e gestão Palas, a melhor estratégia é a comunicação “frente a frente”, na qual a equipe tira dúvidas e expõe seus temores. “É preciso repetir, 1, 2, 3, 10 vezes até todo mundo aprender, nem que seja por osmose”, orienta ele, sobre o hábito e a necessidade de capacitar a equipe. 

Confira, a seguir, o que pode ser feito pelo trabalhador e pela empresa para aumentar a segurança e diminuir a probabilidade de infecção pelo novo coronavírus na volta ao trabalho. 

O abecê da volta ao trabalho 

Aglomerações 

Evite ambientes repletos de pessoas: essa continua sendo uma recomendação das autoridades de saúde. E isso não significa somente no seu ambiente de trabalho, mas no percurso que leva até ele. “Todo o trajeto deve ser considerado”, afirma Pierro. 

Banheiros 

Sanitários, especialmente os coletivos, merecem higienização constante. Precisa usar? Tente não entrar em contato com as superfícies. 

Comportamento 

Tocar boca, olhos e nariz, nem pensar: evite levar as mãos ao rosto. E procure sempre higienizar as mãos, seja com água e sabão, seja com álcool em gel 70%, por ao menos 20 segundos. Nunca é demais reforçar: esqueça, por ora, beijos, abraços e apertos de mão. 

Contato 

Quanto menos você tocar em objetos ou superfícies de muito contato, melhor. Isso inclui maçanetas, botões de elevador, corrimãos e máquinas de pagamento. Se for impossível, redobre os cuidados: higienize as mãos e a área de contato. 

Distanciamento 

Verifique se as mesas estão a 2 metros umas das outras. Esse é o espaço recomendado entre os profissionais, segundo Pierro. Na impossibilidade de espaçar os móveis no ambiente para reduzir a concentração de pessoas por metro quadrado, ele sugere que as empresas e os funcionários discutam sobre a flexibilização da jornada, com horários de entrada e saída diferentes ou com escalas em dias da semana. O home office também continua como uma alternativa interessante para negócios que podem contar com trabalho remoto. 

Equipamentos de uso frequente 

Computador, teclado e mouse, bem como objetos de uso compartilhado, devem passar por higienização constante com álcool em gel 70%. Cuidado para não encharcar os itens com líquido em excesso, sob o risco de perdê-los ou ter de recorrer à assistência técnica para recuperá-los.  

Horários 

Nem sempre é possível, mas é bom ter em mente que os horários de pico, nos quais o transporte público tem maior concentração de pessoas, não são os ideais. A exposição à contaminação é maior, colocando em risco os profissionais que trabalham na empresa. De novo: se puder, tente organizar jornadas em períodos com menos movimentação. 

Informação 

O ideal é que seu local de trabalho tenha sinalização com as principais orientações em relação ao novo coronavírus: comunicação na entrada, solicitando que funcionários e visitantes higienizem as mãos, e no ambiente, com o passo a passo da etiqueta respiratória, por exemplo. Se não houver, não custa nada sugerir ao gestor ou à equipe de RH. 

Máscara 

O uso de máscara é obrigatório – e ela deve ser trocada a cada duas ou três horas. Observe se ela cobre totalmente a boca e o nariz, sem deixar espaços nas laterais. Antes e depois de colocá-la, é preciso higienizar as mãos. Também se recomenda não manipulá-la durante o uso. 

Negativas 

Entre dizer um não ao cliente que quer entrar sem máscara num estabelecimento e colocar toda a equipe em risco de contágio pelo novo coronavírus, não deve haver dúvidas: “Não é justo expor o funcionário”, avalia Pierro. 

Objetos pessoais 

Evite compartilhar telefone e caneta, por exemplo. Se for necessário, desinfete-os quando for utilizado por outra pessoa. Quanto a itens como copos, talheres e toalhas, tenha em mente que são seus e não é recomendado emprestá-los. 

Pertences de casa 

Dê uma olhada em tudo o que está levando para o trabalho e se pergunte: o que, de tudo isso, é realmente necessário? Deixe o que puder em casa antes de sair.  

Refeições 

Almoçar, tomar lanche, jantar ou mesmo parar para um cafezinho com os colegas é bom, mas todos esses períodos devem respeitar o distanciamento entre pessoas. Se for o caso, vale reorganizar o espaço ou escalonar os horários das refeições. “Estamos seguindo o distanciamento físico, não apenas para clientes. Em ambientes como vestiário, estoque, copa, só pode entrar uma pessoa por vez”, exemplifica Sônego. 

Sintomas 

Se não estiver se sentindo bem, o melhor a fazer é ficar em casa. No caso de tosse e dificuldade para respirar, procure atendimento médico. 

Transporte 

O sócio da Palas diz que, na Europa, algumas empresas contrataram vans para garantir o deslocamento dos funcionários com segurança. O custo, segundo ele, costuma ser equivalente ao que seria desembolsado com vale-transporte. Verifique se essa opção pode funcionar para você. 

Volta para casa  

Deixe os calçados em um pano com solução desinfetante (50 ml de água sanitária para 1 litro de água) e lave as mãos. Higienize com álcool em gel os objetos com os quais teve contato, como maçaneta da porta, chave de casa e campainha. 

Zelo 

O novo coronavírus é… novo. Por isso, cientistas, médicos, pesquisadores e gestores têm, de quando em quando, informações mais atualizadas sobre a infecção, a doença e os tratamentos. O ideal é permanecer de olho em órgãos oficiais, que trazem os dados mais recentes sobre a Covid-19 e a pandemia, entre eles o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde, bem como os governos estadual e municipal de sua localidade. 

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: