O mercado de trabalho brasileiro está mudando. Um aumento significativo na presença de profissionais 60+, reflexo do envelhecimento da população, está sendo visto. Em 2022, o país contabilizou 3,04 milhões de trabalhadores formais com mais de 60 anos. Esse valor é quase o dobro da década passada, representando 5,8% do total de empregados. No entanto, a maioria dessas vagas oferece salários baixos, evidenciando desafios importantes para essa faixa etária.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2022, mostram que muitos desses trabalhadores se concentram em ocupações de baixa qualificação e remuneração. Exemplos citados são motoristas de caminhão e ônibus, cozinheiros, vigias e vendedores. Embora funções de maior qualificação, como médicos e professores, também estejam presentes, elas representam uma minoria entre os profissionais 60+.
Para aumentar a presença de profissionais 60+, políticas públicas são necessárias
A demanda por profissionais 60+ tem aumentado em setores como varejo, consultoria, saúde e serviços financeiros. Mórris Litvak, fundador da Maturi, destaca que as empresas estão cada vez mais conscientes da importância da diversidade etária e dos benefícios que ela traz, como experiência, sabedoria e estabilidade.
Apesar do discurso positivo sobre a valorização dos profissionais 60+, Ana Amélia Camarano, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), alerta que ainda existe um viés etarista no mercado. Muitas empresas relutam em contratar trabalhadores mais velhos devido a preconceitos sobre produtividade e adaptação tecnológica.
O coordenador-geral de Estudos e Estatísticas do Trabalho, Felipe Vella Pateo, ressalta a importância de políticas públicas de qualificação para incluir trabalhadores idosos em funções mais valorizadas. Segundo ele, embora esses profissionais mostrem resiliência e dedicação, enfrentam diversos desafios. Entre eles, baixos salários, falta de oportunidades de progressão na carreira e discriminação etária.
Iniciativas positivas podem potencializar a presença de profissionais 60+
Iniciativas como o programa "Experiência que Faz Bem" da Nestlé, voltado para profissionais 50+, são passos importantes na inclusão desses trabalhadores. Vera Muniz, de 60 anos, contratada pela Nestlé, exemplifica como a continuidade na vida profissional pode trazer benefícios não apenas financeiros, mas também sociais e emocionais.
Crédito: Hananeko_Studio/Shutterstock
Confira as ocupações mais comuns para profissionais maduros
Conforme o levantamento do MTE, as ocupações mais comuns variam conforme a faixa etária:
Profissionais na faixa dos 60 anos
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Assistente administrativo;
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Motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais);
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Auxiliar de escritório;
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Trabalhador de serviços de limpeza e conservação de áreas públicas;
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Porteiro de edifício;
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Professor de nível médio no ensino fundamental;
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Dirigente do serviço público estadual e distrital;
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Cozinheiro;
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Vigia;
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Vendedor do comércio.
Profissionais na faixa dos 70 anos
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Assistente administrativo;
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Dirigente do serviço público estadual e distrital;
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Porteiro de edifício;
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Motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais);
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Trabalhador de serviços de limpeza e conservação de áreas públicas;
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Vigia;
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Médico clínico;
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Dirigente do serviço público municipal;
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Motorista de ônibus urbano;
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Professor de ensino superior na área didática.
Profissionais na faixa dos 80 anos
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Assistente administrativo;
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Auxiliar de escritório;
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Dirigente do serviço público estadual e distrital;
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Porteiro de edifício;
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Vigia;
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Dirigente do serviço público municipal;
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Trabalhador de serviços de limpeza e conservação de áreas públicas;
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Trabalhador agropecuário;
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Zelador de edifício;
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Supervisor administrativo.
A presença crescente de profissionais 60+ no mercado de trabalho brasileiro é uma realidade. Ela traz consigo a necessidade de maior inclusão e valorização desses trabalhadores, buscando garantir não apenas sua participação ativa na economia, mas também melhores condições e reconhecimento profissional.
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