A qualidade do ovo de Páscoa no Brasil tem sido alvo de críticas por consumidores e especialistas. Pequenos empreendedores, que apostam na produção artesanal, enfrentam dificuldades cada vez maiores para manter um padrão elevado. O aumento do preço do cacau e as estratégias da indústria impactam diretamente a produção e o custo dos chocolates artesanais.
Cacau mais caro e substituições na indústria
O preço do cacau quadruplicou nos últimos dois anos. Ele atingiu um recorde histórico de mais de US$ 10 mil por tonelada. O impacto disso na indústria é evidente. A alternativa é realizar a substituições de ingredientes essenciais, como manteiga de cacau, por gorduras vegetais de menor qualidade.
A engenheira de alimentos Luciana Monteiro, em entrevista ao G1, explica que esse fenômeno começou na década de 1980, quando a praga vassoura-de-bruxa devastou a produção de cacau na Bahia. Desde então, as empresas passaram a reduzir custos, priorizando insumos mais baratos. “Sim, o chocolate piorou. Isso não é uma sensação, é realidade”, afirma Monteiro.
Ovo de Páscoa artesanal: um setor sob pressão
Os pequenos empreendedores que produzem ovo de Páscoa artesanal sofrem ainda mais com a escalada dos preços dos ingredientes. Diferente das grandes indústrias, eles não podem substituir manteiga de cacau por gorduras vegetais sem comprometer a qualidade do produto.
Mariana Bueno, professora da USP e coordenadora do projeto de extensão Cacau e Cultura, destaca que a manteiga de cacau é essencial para garantir que o chocolate derreta na temperatura da boca, de 37 graus. Como o insumo também é utilizado pela indústria de cosméticos, há uma pressão adicional sobre os custos. Isso leva muitas empresas a optarem por gorduras mais baratas.
"O óleo de palma é um tipo de gordura vegetal usado em substituição à manteiga de cacau. Mas, muitas vezes, a indústria ainda substitui esse óleo de palma por óleo de palmiste, que é muito inferior. Então, é a substituição da substituição", explica.
Por outro lado, para que os pequenos produtores reduzam os preços, é preciso abrir mão da qualidade.
Crédito: New Africa/Shutterstock
A busca por qualidade e a valorização do chocolate artesanal
Apesar das dificuldades, cresce o movimento dos produtores que adotam o modelo "bean to bar" (do grão à barra). A proposta é garantir um chocolate de maior qualidade. Esses produtos, no entanto, chegam ao mercado a um preço mais alto.
Zélia Frangioni, especialista em chocolates, explica que consumidores atentos à qualidade estão dispostos a pagar mais por produtos melhores. “Prefiro comprar um chocolate de melhor qualidade e comer menos quantidade”, afirma.
Para identificar um bom chocolate, a dica é observar a lista de ingredientes. O cacau deve aparecer antes do açúcar, e não deve haver aromatizantes artificiais.
O futuro do chocolate e dos pequenos empreendedores
Com a alta dos preços e a pressão por redução de custos, pequenos produtores enfrentam desafios constantes para manter a qualidade dos ovos de Páscoa. Enquanto a indústria continua adaptando suas receitas para reduzir custos, os empreendedores artesanais buscam maneiras de oferecer um produto diferenciado e de alto padrão.
Todo empreendedor merece uma aposentadoria tranquila. Por isso, o Instituto de Longevidade criou o Programa ViverMais. Com a iniciativa, é possível garantir uma uma aposentadoria plena e repleta de vantagens. Aproveite benefícios especiais, como descontos em medicamentos, telemedicina, Seguro de Vida e uma variedade de benefícios sob medida para você.
Fale com nossos consultores, torne-se um associado do Instituto de Longevidade MAG e saiba como ter um futuro com mais qualidade de vida.
Leia também:
Empreender com pouco dinheiro: quais os primeiros passos?
Empreendedorismo maduro: tudo o que você precisa saber para começar hoje