O comportamento do dólar 2026 tende a ser marcado por volatilidade elevada após a desvalorização registrada em 2025. A moeda americana acumulou queda próxima de 10% frente ao real, apesar de movimentos recentes de recuperação. Analistas apontam que fatores externos e domésticos seguirão determinantes para o câmbio. As eleições presidenciais no Brasil e as decisões do Federal Reserve devem influenciar diretamente a cotação ao longo do próximo ano.
O ano de 2025 foi marcado pela atuação de forças opostas sobre a moeda americana. No cenário internacional, houve uma tendência clara de enfraquecimento do dólar frente a moedas de mercados emergentes. Esse movimento esteve associado à expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos. No ambiente doméstico, fatores políticos e fiscais criaram momentos de pressão altista sobre o câmbio. Ainda assim, o vetor externo prevaleceu no balanço anual.
“No balanço desses vetores opostos, a fraqueza internacional da moeda americana prevaleceu, levando à apreciação do real, mesmo diante das dificuldades do cenário interno”, disse Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos em entrevista ao Infomoney. Segundo dados de mercado, o dólar encerrou 2025 cotado próximo de R$ 5,53. Apesar da queda anual, a moeda acumulou valorização em alguns meses. O movimento reforçou a percepção de instabilidade persistente no mercado cambial.
Dólar 2026 deve refletir incertezas do cenário eleitoral
Para 2026, Garcia avalia que o real pode continuar se beneficiando da fraqueza global do dólar. O cenário internacional segue favorável às moedas emergentes, segundo o especialista. No entanto, o ambiente eleitoral brasileiro tende a ampliar as oscilações ao longo do ano. “O patamar da cotação ao final do ano estará diretamente ligado ao resultado das eleições”, afirmou. A expectativa é de maior volatilidade conforme o calendário eleitoral avance.
Bruno Botelho, chefe de mesa de câmbio da ONE Investimentos, destacou que 2025 já apresentou movimentos intensos. Segundo ele, fatores externos, como a postura do Federal Reserve, tiveram papel relevante. No cenário doméstico, o debate fiscal e político também influenciou o câmbio. Para o dólar 2026, Botelho projeta cotação em torno de R$ 5,50. A estimativa considera um ambiente de incerteza elevado ao longo do ciclo eleitoral.
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Juros e fluxo estrangeiro seguem no radar dos analistas
A tendência de enfraquecimento do câmbio também é compartilhada por Alison Correia, da Dom Investimentos. Ele afirmou que o diferencial de juros brasileiro segue atrativo para investidores estrangeiros. Mesmo com possíveis cortes ao longo do ano, o país mantém vantagem relativa. “A volatilidade tende a impactar a moeda, principalmente pelas incertezas eleitorais”, explicou ao Infomoney. Esse fator deve provocar ajustes frequentes nas projeções.
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, adota uma visão mais equilibrada para o cenário global. Ele prevê fortalecimento moderado do dólar, sustentado pela resiliência da economia americana. A avaliação considera dois cortes graduais na taxa de juros dos Estados Unidos. No Brasil, Rostelato espera fluxo positivo no primeiro trimestre. Para o restante do ano, a expectativa é de maior instabilidade. A projeção de câmbio também gira em torno de R$ 5,50.
Bancos globais ajustam projeções para o câmbio em 2026
Instituições financeiras globais acompanham com cautela o cenário do dólar 2026. O JPMorgan observa o real operando próximo de R$ 5,50, após aumento do ruído eleitoral. Segundo o banco, a confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro levou a uma desvalorização próxima de 3%. A instituição mantém posição neutra no câmbio até o início de 2026. O banco avalia que o mercado precifica maior probabilidade de transição política. A XP Investimentos apresenta projeção semelhante para o período.
O Morgan Stanley projeta um cenário mais volátil ao longo do ano eleitoral. A instituição estima que a moeda americana atinja R$ 5,60 no terceiro trimestre de 2026. A projeção considera o impacto direto das eleições sobre os ativos brasileiros. “Nossa previsão é de R$ 5,60 para o 3º trimestre de 2026 e a subsequente recuperação para R$ 5,30 no final de 2026, que estamos projetando, refletem um resultado ponderado por probabilidades, e não um cenário eleitoral específico. Contudo, consideramos o desempenho da moeda após as eleições como bastante binário, com uma consolidação abaixo de R$ 5,00 como possível em um cenário de governo favorável ao mercado com apoio do Congresso”, avaliou.
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