O cartão de crédito costuma ser considerado um vilão nas finanças. E não à toa, afinal, pesquisas mostram que, em geral, ao oferecer limite que ultrapassa e muito a renda dos usuários, ele acaba se tornando um dos principais responsáveis pelo endividamento.
Você sabia que, historicamente, o primeiro cartão de crédito foi criado na década de 50 para ser um meio de pagamento para quem esquecia de levar a carteira na hora de pagar a conta em restaurantes? Ou seja, a ideia original era ser apenas uma ferramenta útil.
Depois, lá pelos anos 90, com a consolidação das compras parceladas, os limites começaram a aumentar drasticamente. O problema é que, quem não sabe lidar bem com os próprios limites, acaba se enrolando, seja nas finanças ou na vida! Se alguém tem um salário de R$ 2 mil, mas um limite de R$ 10 mil, acaba correndo riscos grandes para o bolso se não consegue se controlar, concorda?
É preciso começar a usar o cartão de crédito com inteligência financeira
Mas vamos voltar a falar do uso primário do cartão de crédito. Ou seja, facilitar a vida para que não tenhamos que andar por aí com dinheiro no bolso (você conhece alguém que ainda faz isso?). Quem usa o cartão com essa finalidade e paga a fatura na data certa dificilmente corre riscos financeiros. Pelo contrário, conta com uma ferramenta que ajuda a controlar as despesas (afinal é só acompanhar a fatura para entender os gastos) e ainda pode ganhar pontos e uma série de vantagens.
Por aqui, comecei a usar o cartão de forma bastante estratégica para acumular milhas para passagens aéreas. Tem dado certo. Outro dia, inclusive, consegui comprar pontos normalmente vendidos a R$ 70 o milheiro por apenas R$ 24 em uma promoção. Isso me levou a economizar um bom dinheiro. Mas como começar a usar o cartão de forma realmente inteligente?
Alguns passos para mudar para melhor o uso do cartão
Primeiramente, é preciso entender as próprias receitas e despesas e estabelecer um limite de crédito que seja coerente com o que você ganha e gasta. Seja sincero consigo mesmo caso não consiga controlar os gastos ou frequentemente use o cartão como um acréscimo de renda.
Não importa se o banco resolveu te dar três ou cinco vezes mais crédito do que você ganha em um mês, diminua o limite para uma quantia segura, que não permita o endividamento perigoso. Vale lembrar que as taxas de juros no cartão para quem não paga o total da fatura são muito altas. Em 2025, as taxas do rotativo chegaram a mais de 450%, segundo dados do Banco Central. Neste link é possível acompanhar quanto é cobrado.
Depois, esqueça a história de emprestar o cartão de crédito por aí. Normalmente, quem pede isso é quem já está com o nome sujo ou não consegue um limite maior. Se houver qualquer problema e a pessoa não conseguir pagar, é você, o dono do cartão, quem precisa assumir ou se enrolar. Comece a avaliar se é uma real necessidade de quem pede ou simplesmente um pedido de quem não consegue esperar para fazer uma determinada compra.
Cuidado com parcelamentos
Outro ponto importante é tomar cuidado com parcelamentos. Alguns educadores financeiros inclusive recomendam não parcelar. A gente sabe que é muito mais fácil comprar algo que no lugar de R$ 1000 pode ser adquirido em 10 parcelas de R$ 100, não é verdade? O problema é se você começa a parcelar diversas coisas e todo mês a sua fatura já chega comprometida com gastos anteriores.
Para começar, guarde uma orientação: tente ao menos não parcelar o que é um gasto recorrente, como, por exemplo, medicamentos ou compras de supermercado. Se você parcela esses gastos no cartão de crédito, no mês seguinte eles abocanharão parte da sua receita e ainda haverá novos gastos a serem somados. É aí que uma nova bola de neve se forma.
Mas o que fazer se a receita não é suficiente?
Ok, mas o que fazer se o salário não chega até o fim do mês e tudo isso que estou dizendo parece distante da realidade? Muitas pesquisas mostram que boa parte dos brasileiros usa o cartão como uma extensão das receitas porque não consegue ter o suficiente para pagar as contas. É real e preocupante! Porém, sugiro que seja dado um passo por vez para que, com educação financeira, essa realidade comece a mudar.
No Instituto trabalhamos com alguns pilares da Longevidade Financeira. Eles podem e devem ser aplicados ao longo da vida para que receitas e despesas estejam em equilíbrio. Mais que isso, para que comece a sobrar dinheiro também.
Entre outros pontos, é preciso conhecer exatamente o que você ganha e com o quê gasta. A partir daí, verifique se não dá para deixar de fazer alguns gastos ou substitui-los por gastos de menor valor. Normalmente é possível, mas a maioria não dá a devida atenção a isso.
E, se ao entender o cenário e cortar gastos, mesmo assim o dinheiro não for suficiente, é preciso pensar em formas de ganhar mais. Todo mundo faz algo que pode oferecer ao mundo, seja produto ou serviço, e isso pode ajudar a aumentar a receita.
No próximo artigo darei algumas sugestões para quem está precisando ou querendo incrementar as finanças. Enquanto isso, fique de olho no uso que faz do cartão de crédito. Ele pode ser seu amigo ou inimigo, é você quem escolhe!
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