O planejamento financeiro para o início do ano torna-se fundamental diante da concentração de despesas nos primeiros meses. Com a virada do calendário, impostos e contas sazonais passam a pressionar o orçamento das famílias brasileiras. Entre as principais cobranças estão o IPTU e o IPVA. Em muitos estados e municípios, os boletos começam a ser divulgados entre dezembro e janeiro, permitindo parcelamentos e descontos para quem se organiza com antecedência.
Segundo a educadora financeira e jornalista Janaina Gimael, essa época costuma ser um período delicado. "O início de ano costuma ser financeiramente difícil porque normalmente traz gastos 'extras'. Também é um período pós festas e férias, quando os gastos costumam ser maiores. Ou seja, muitas vezes o ano já começa no vermelho para quem não se planeja", afirma. Para ela, essas despesas não são inesperadas, mas costumam ser tratadas como exceção. Sem planejamento financeiro prévio, o acúmulo de compromissos compromete o orçamento logo no início do ano.
Além disso, dados do Serviço de Proteção ao Crédito indicam a dificuldade enfrentada pelos consumidores. Em 2019, apenas 9% dos brasileiros conseguiram pagar as contas do início do ano apenas com o salário. Para arcar com IPVA e IPTU, 31% precisaram juntar dinheiro ao longo do ano anterior. O cenário revela a dificuldade de absorver despesas concentradas sem uma estratégia financeira definida.
Despesas previsíveis viram problema sem planejamento
A ausência de reserva financeira amplia o risco de endividamento. Segundo a Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, cerca de 43% dos brasileiros não possuem qualquer valor guardado para emergências. Sem essa proteção, muitos consumidores recorrem ao crédito logo no início do ano. Cartão de crédito, cheque especial e empréstimos passam a cobrir despesas previsíveis.
Janaina Gimael afirma que o principal erro está na forma como esses gastos são classificados. Para a educadora, reconhecer a recorrência dessas contas é o primeiro passo para evitá-las como problema. "O maior erro é considerar que são despesas 'extras' sendo que acontecem todos os anos. Ou seja, o ideal seria haver um planejamento dentro do qual essas despesas já estejam incluídas. É possivel criar uma reserva financeira que ajude nesses gastos", exemplifica.
Crédito: Blossom Stock Studio/Shutterstock
Planejamento financeiro para o início do ano passa por reservas específicas
Janaina Gimael reforça que o orçamento apertado é realidade para a maioria dos brasileiros. Ainda assim, a organização financeira é indispensável. Por isso, o planejamento financeiro para o início do ano envolve a criação de reservas diferentes para objetivos distintos.
A reserva de emergência deve ser destinada a imprevistos, como problemas de saúde ou manutenção do veículo. Já impostos, seguros e anuidades exigem uma reserva específica, formada ao longo do ano. Essas despesas são previsíveis e permitem planejamento antecipado.
Outro ponto importante é a possibilidade de economizar com o pagamento à vista. No estado de São Paulo, o IPVA oferece desconto de 3% para quem quita o imposto em parcela única. Quem prefere parcelar pode dividir o valor em até cinco vezes. No Rio de Janeiro, o parcelamento do IPVA é limitado a três parcelas. As condições variam conforme o estado.
As prefeituras também costumam oferecer abatimentos no IPTU. Em Curitiba, houve desconto de 10% em 2025 para quem pagou o imposto à vista. Ainda assim, o parcelamento segue como alternativa para quem não possui reserva suficiente. A decisão deve considerar o impacto das parcelas no orçamento mensal.
Para Janaina, "é importante entender direito receitas e despesas para avaliar se é possivel enxugar ou substituir gastos. Se não for, entra o pilar ganhar mais. Ou seja, de que forma e possível conseguir renda extra? Vale vender aquele bolo que você faz bem, cuidar de animais, dar aula de alguma coisa etc. O importante é saber que independentemente do orçaamento é preciso organização para arrumar o que não esta funcionando", sugere a educadora financeira.
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