Os idosos são os que mais consomem remédios, mas ainda estão sub-representados em ensaios clínicos. Isso cria desafios para a segurança e eficácia de medicamentos usados por esse grupo. Mesmo sendo os maiores consumidores de medicamentos prescritos, sua inclusão nos testes ainda enfrenta barreiras significativas.
Essa exclusão foi tema de debate em um seminário recente da Sociedade Britânica de Gerontologia. Especialistas apontaram que doenças prevalentes em idosos, como demência e câncer, são testadas principalmente em populações mais jovens. Declan Doogan, médico especialista, explicou que os idosos possuem metabolismo e respostas fisiológicas diferentes. Isso pode tornar os medicamentos menos seguros ou eficazes quando usados por eles.
Crédito: Pixel-Shot/Shutterstock
Por que os idosos são os que mais consomem remédios?
Dados do Reino Unido mostram que idosos consomem 35% de toda a medicação prescrita. No Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos dobrou entre 2000 e 2023. Com isso, o mercado de medicamentos para esse público cresce, mas a falta de inclusão nos ensaios limita o acesso a informações precisas sobre a eficácia e os riscos para essa faixa etária.
Segundo Emma Harvey, da Faculdade de Medicina Farmacêutica do Reino Unido, os ensaios clínicos geralmente buscam populações homogêneas. Idosos, por apresentarem comorbidades e fazerem uso de múltiplos medicamentos, são frequentemente descartados. Harvey reforça que isso prejudica os médicos, que acabam prescrevendo medicamentos sem dados completos para o grupo.
Soluções e iniciativas em discussão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou recentemente um guia de boas práticas para ensaios clínicos. O objetivo é incentivar a inclusão de idosos e outros grupos sub-representados. Jeremy Taylor, do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde do Reino Unido, sugere medidas como aumentar a conscientização e oferecer suporte a pesquisadores. Além disso, incentivos para a indústria farmacêutica poderiam ampliar a diversidade nos testes.
Com o aumento da expectativa de vida, compreender as necessidades específicas dos idosos se torna cada vez mais urgente. Incluir esse público nos ensaios clínicos é um passo fundamental para garantir tratamentos mais seguros e eficazes.
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