Você já parou para pensar que a pessoa idosa que você será no futuro está, neste exato momento, observando as escolhas que você faz? Muitas vezes, enxergamos a velhice como uma terra distante, um destino onde desembarcaremos apenas daqui a muitas décadas. Mas a verdade é que estamos construindo a nossa velhice agora, nos detalhes que parecem pequenos demais para notar.
A sociedade que cuida (ou negligencia) o idoso não nasce do nada. Ela é o resultado direto de como nós, que ainda nos sentimos "jovens demais", tratamos o mundo ao nosso redor hoje.
A velhice é um espelho do presente
A vulnerabilidade que tanto tememos no futuro não surge por acaso. Ela é, muitas vezes, silenciosamente tecida em comportamentos do nosso dia a dia:
- Na infraestrutura: quando ignoramos aquela calçada esburacada por onde passamos rápido, esquecemos que, um dia, nossos passos serão mais lentos e precisarão de chão firme.
- No vocabulário: quando rimos de piadas sobre "dar trabalho" ou tratamos o envelhecer como um fardo, estamos plantando o preconceito que colheremos mais tarde.
- Na pressa: quando terceirizamos o afeto e o cuidado por falta de tempo, estamos validando um mundo onde a produtividade vale mais do que a presença.
O futuro chega "educado" ou negligenciado
Em que tipo de sociedade queremos viver quando esse dia chegar?
Uma sociedade acolhedora para os idosos não começa aos 60 anos. Ela começa agora, quando decidimos que o tempo, o cuidado e a acessibilidade são assuntos que nos dizem respeito hoje. Cada gesto de paciência no trânsito, cada luta por cidades mais humanas e cada olhar de respeito para quem já trilhou o caminho antes de nós é um tijolo na construção da nossa própria segurança futura.
Um convite à gentileza com o seu "eu" do futuro
Não precisamos encarar isso com peso ou medo. Podemos olhar para a longevidade como uma construção coletiva e amorosa. Educar o futuro significa simplesmente humanizar o presente.
Que tal começar hoje? Olhe ao redor e se pergunte: “o que eu posso fazer agora para que o mundo seja um lugar mais gentil para o idoso que eu serei amanhã?”. Pode ser cobrar uma melhoria no seu bairro, ligar para um familiar mais velho ou, principalmente, mudar a forma como você enxerga o seu próprio passar do tempo.
O futuro não chega pronto; ele é o reflexo do carinho que dedicamos a ele hoje.
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