Seja pelo calor do momento ou por influência do álcool, muitas pessoas deixam preservativos de lado. Com isso, acabam se expõem às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Não é à toa que, durante o carnaval, o Ministério da Saúde reforça a distribuição de camisinhas. Para o Carnaval 2026, cerca de 136 milhões preservativos serão distribuídos em eventos.
Com o slogan “Carnaval com preservação”, a campanha do Ministério da Saúde tem o foco na prevenção às ISTs. Além disso, as peças publicitárias também reforçam outros métodos de proteção distribuídos pelo SUS, como a vacinação contra hepatites, da testagem rápida, do uso da Prep – Profilaxia Pré-Exposição e da PEP – Profilaxia Pós-Exposição.
Mesmo que muitos acreditem que o foco é o público mais novo, “os mais velhos têm a mesma probabilidade de contrair DSTs”, destaca o ginecologista Élvio Floresti Junior.
“Eles têm maior preocupação e se protegem mais. Porém, eexiste uma porcentagem considerável que, mesmo com toda a instrução, pensa que são apenas doenças de jovens e acaba não apenas se infectando como também transmitindo a doença para o parceiro”, comenta.
Os números mostram isso. Segundo dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, nos últimos anos, cresceu o número de pessoas com mais de 50 anos diagnosticadas com o vírus HIV. Em dez anos, casos nessa faixa etária aumentaram 57%. Pessoas com 50+ registraram aumento nas infecções, sobretudo mulheres. O percentual passou de 10,9% em 2014 para 17% em 2024.
Outras doenças também preocupam. “O HPV (abreviação de Vírus do Papiloma Humano) ainda é muito prevalente, e a gonorreia e a clamídia também são frequentes”, afirma o especialista.
Crédito: Luis War/Shutterstock
Preservativos são essenciais em todas as idades
Apesar de o uso de preservativos ser a melhor prevenção, “ainda existe um preconceito entre muitos homens”, diz Floresti Junior, explicando que muitos receiam perder a ereção. Especialistas dizem que os mais velhos tendem a ver camisinhas primeiramente como uma medida contraceptiva. As mulheres, que já não temem uma gravidez não desejada, não insistem em seu uso.
Na pós-menopausa, afirma o ginecologista, as paredes vaginais ficam mais finas e ocorre a diminuição de sua lubrificação. O que pode colocar as mulheres em um risco mais elevado para infecção ao HIV durante a relação sexual. “Pelo déficit de estrógeno - que, além da elasticidade vaginal, dá uma maior proteção na mucosa -, a vagina fica menos protegida.
Consequentemente está mais exposta a lesões durante as relações sexuais”, explica Floresti Junior. “E essas lesões ulceradas são mais vulneráveis às ISTs. E, quando comparamos a mulher com o homem, ela é mais vulnerável”, sinaliza.
Indicadores melhoram, mas cuidados seguem indispensáveis
Segundo o Ministério da Saúde, apesar do fluxo de informações sobre as ISTs e do acesso aos métodos de proteção, o Brasil sofreu uma epidemia de casos de HIV. Em 2021, 40,8 mil casos e outros 35,2 mil casos de aids foram notificados. São cerca de 40 mil novos infectados por ano.
Com base nos dados de 2024, o Boletim Epidemiológico HIV e Aids apresentou resultados positivos em relação à mortalidade, que alcançou o menor índice de toda a série histórica. No ano passado, foram registrados 3,4 óbitos por 100 mil habitantes. Isso representa uma redução de 12,8% em comparação com o ano anterior.
Ainda que os números sejam animadores, é fundamental manter a atenção. Reforçar os cuidados é essencial, pois a prevenção continua sendo fundamental para preservar esses avanços.
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