Afinal, como saber se estou envelhecendo bem? E como observar as mudanças físicas naturais da idade?

A preocupação com a saúde futura é um sentimento comum em todas as fases da vida adulta. O envelhecimento é um processo contínuo que exige atenção constante e cuidados preventivos. Embora ninguém consiga prever o futuro com exatidão, existem indicadores físicos muito claros. Eles mostram a trajetória da sua saúde e sua autonomia nos próximos anos.

Como disse Alexandre Kalache no livro "A revolução da longevidade", publicado pela editora Vestígio, envelhecer bem não significa estar livre de doenças, contudo "pessoas que prosperam ao envelhecer são aquelas que investem ativamento no próprio conhecimento".

Por isso, avaliar sua condição física atual é o primeiro passo para garantir uma velhice ativa. Pequenos sinais do corpo podem revelar muito sobre sua força e seu equilíbrio.

Mas como saber se estou envelhecendo bem? Para realização essa avalição, pesquisadores e médicos utilizam métodos práticos para medir essa capacidade funcional. Esses testes são ferramentas poderosas para monitorar o seu progresso físico pessoal. Eles ajudam a identificar áreas que precisam de mais dedicação e exercícios específicos.

A importância de monitorar sua vitalidade desde cedo

Não é necessário esperar envelhecer para começar a monitorar sua saúde. A preparação para os anos avançados deve ser uma prioridade imediata para todos. Especialistas afirmam que o ponto de partida muscular influencia diretamente a qualidade de vida futura. Quanto melhor sua base física hoje, mais fácil será manter a independência depois.

O professor Stuart Phillips, da Universidade McMaster, destaca a importância da reserva muscular. Ele compara o treino físico a uma economia financeira para o futuro. "Nunca é cedo demais para começar a se preparar para os anos mais avançados da vida", diz Stuart Phillips.

Ele reforça que a perda de massa muscular é um processo natural do corpo humano. "As pessoas perdem força e massa muscular naturalmente com o envelhecimento, então é importante que o ponto de partida seja o melhor possível", reforça.

Começar a treinar antes é como “dinheiro guardado no banco”, afirma o renomado professor Phillips. No entanto, o otimismo deve prevalecer para quem ainda não começou a se exercitar. Nunca é tarde demais para intervir e melhorar suas capacidades físicas atuais.

Mesmo pessoas em idades muito avançadas conseguem obter ganhos significativos de saúde. Dados concretos revelam que nonagenários conseguem ganhar força e função com apenas um pouco de atividade, mesmo que leve.

Homem negro sênior sentado no tapete de exercício segurando o joelho com as duas mãos, alongando os músculos das pernas após o treino. Imagem para ilustrar a matéria sobre como saber se estou envelhecendo bem. Crédito: Pressmaster/Shutterstock

Como saber se estou envelhecendo bem? Descubra com testes práticos

Afinal, como saber se estou envelhecendo bem? Se essa é uma pergunta que paira sobre seus pensamentos, existem quatro avaliações fundamentais que você pode realizar no conforto da sua própria casa.

Estes testes medem força, equilíbrio, potência muscular e capacidade cardiovascular de forma simples. Eles funcionam como indicadores indiretos da sua capacidade de realizar tarefas cotidianas futuras. Até porque, conseguir brincar com netos ou viajar exige um corpo minimamente funcional e estável.

Os quatro pilares para descobrir se você está envelhecendo bem

Ao pensar "como saber se estou envelhecendo bem?" é preciso analisar suas condições. Para uma avaliação completa, dividimos os testes em quatro categorias fundamentais de desempenho físico. Estes indicadores medem desde a sua potência muscular até a integridade do seu sistema nervoso e cardiovascular.

1. Teste de sentar e levantar do chão

Este método é um dos preditores de mortalidade mais famosos da medicina esportiva mundial. O objetivo é sentar no chão e levantar-se usando o mínimo de apoio dos membros superiores. Este exercício simples exige uma combinação complexa de força muscular, flexibilidade e equilíbrio dinâmico.

Claudio Gil Araújo, diretor de pesquisa e educação da Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex), no Brasil, desenvolveu este cálculo e acompanhou milhares de pacientes em suas pesquisas.

Um estudo recente conduzido por ele analisou mais de 4 mil adultos entre 46 e 75 anos. Ele constatou que as pessoas que pontuaram 4 ou menos tiveram taxas de mortalidade altas. Essas taxas foram quase quatro vezes maiores do que aquelas que obtiveram 10.

Abaixo, confira as diretrizes para realizar a avaliação de forma correta:

  • Escolha um local com superfície plana, firme e totalmente antiderrapante.

  • Use roupas que permitam o movimento livre das pernas e do tronco.

  • Realize o movimento descalço para garantir melhor sensibilidade e segurança.

  • Tente sentar e levantar usando o mínimo de apoio que julgar necessário.

  • Não se preocupe com a velocidade, pois a rapidez não é um critério.

A pontuação começa em dez pontos e sofre reduções conforme o uso de apoios externos. Você perde um ponto para cada mão ou joelho que encosta no chão ou na coxa.

Perdas de equilíbrio resultam na subtração de meio ponto da sua nota final. Adultos jovens devem buscar a nota máxima para garantir uma boa reserva física. Pessoas acima de 60 anos com nota 8 são consideradas em ótima forma física.

2. Avaliação da velocidade de caminhada habitual

A rapidez do seu passo reflete a saúde de múltiplos sistemas internos do seu organismo. Caminhar exige o funcionamento integrado do coração, dos pulmões e também do sistema sensorial. Uma marcha lenta pode ser um sinal precoce de declínios físicos que ainda não foram percebidos.

Jennifer Brach, professora da Universidade de Pittsburgh, explica por que este teste é tão relevante cientificamente. "Ela prediz declínio futuro, mortalidade, internação em casas de repouso, incapacidade e uma série de outros desfechos", afirma.

Para testar, marque um percurso reto de exatos quatro metros em sua casa. Caminhe no seu ritmo normal e use um cronômetro para medir o tempo gasto. O ideal para todas as idades é manter a velocidade acima de 1,2 metro por segundo.

Isso significa percorrer os quatro metros em um tempo total de pouco mais de três segundos. Se o seu tempo aumentar ao longo dos meses, procure um médico para uma avaliação detalhada. "Se o valor mudar, isso pode ser um sinal de alerta", explica a professora Brach.

3. Nível de força de preensão manual

A força das suas mãos é um indicador indireto de quão ativo você é diariamente. Pessoas que carregam sacolas, abrem potes e seguram objetos pesados mantêm uma musculatura mais preservada. Essa força é vital para manter a autonomia em tarefas simples da rotina doméstica.

Cathy Ciolek, presidente da American Physical Therapy Association Geriatrics, ressalta que o uso das mãos está ligado diretamente ao nível de atividade geral. "Quando você usa mais as mãos, provavelmente é porque está fazendo mais coisas", afirma a especialista. Para testar essa força em casa, utilize o exercício de caminhada com pesos nas mãos.

O médico da clínica Private Medical, Nima Afshar, sugere metas específicas de peso para diferentes faixas etárias e gêneros. Um homem de 45 anos deve tentar carregar dois halteres de 27 quilos por um minuto.

Para mulheres da mesma idade, o peso alvo é de 18 quilos em cada mão. Aumente a carga gradualmente e nunca ignore dores nas articulações ou desconfortos intensos.

4. Teste de equilíbrio unipodal

Se você constantemente pensa "como saber se estou envelhecendo bem?" saiba que também precisa pensar no equilíbrio do seu corpo. Isso porque o equilíbrio tende a diminuir de forma acentuada com o avanço natural da idade cronológica. Manter-se estável em uma perna só exige foco mental e uma musculatura estabilizadora eficiente.

A falha neste teste indica um risco elevado de quedas, que são perigosas para idosos. O teste consiste em ficar em pé apoiado em apenas uma perna por dez segundos.

Tente realizar o procedimento em ambos os lados para identificar possíveis desequilíbrios musculares. Segundo o estudo de Araújo, falhar nesta tarefa simples está correlacionado com riscos maiores de mortalidade. Cerca de 20% dos adultos entre 51 e 75 anos não conseguem completar o tempo mínimo.

O caminho para melhorar seus resultados físicos

Você pode se perguntar "como saber se estou envelhecendo bem se meus pontos forem baixos?". Saiba que não é um motivo grave para se preocupar.

Identificar uma pontuação baixa em qualquer teste não deve gerar pânico imediato. Esses números servem como um ponto de partida para mudanças positivas no estilo de vida.

O corpo humano é altamente adaptável, mesmo em idades mais avançadas de vida. A prática regular de exercícios físicos foca na reversão desses indicadores negativos.

Melhorar a força, o condicionamento e o equilíbrio é possível com persistência diária. À medida que essas métricas melhoram, o risco de problemas graves de saúde diminui.

O foco deve ser a manutenção da independência e da alegria de viver. Monitorar esses sinais é o segredo para ajustar sua rota em direção ao bem-estar.


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