Um estudo brasileiro acaba analisar idosos extremamente longevos em diferentes regiões do país e mostrou que a genética da longevidade existe no Brasil. Pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram padrões genéticos associados à vida longa entre pessoas com mais de 95 anos. A pesquisa indica que a miscigenação brasileira pode ter papel relevante na longevidade e na qualidade de vida observadas nesses indivíduos.

O estudo foi conduzido pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP. Os resultados foram publicados no periódico científico Genomic Psychiatry e a investigação avaliou 160 pessoas com idades a partir de 95 anos. Desse total, 20 participantes eram supercentenários, com mais de 110 anos.

A pesquisa começou durante a pandemia da Covid-19. Naquele período, três idosos com mais de 110 anos foram infectados pelo vírus. Todos se recuperaram da doença, o que foi uma surpresa. O fato chamou a atenção dos cientistas pelo perfil clínico desses pacientes. A partir disso, o escopo do projeto foi ampliado.

O pesquisador Mateus Vidigal é o primeiro autor do artigo. Ele integra a equipe do Genoma USP. Sobre os primeiros casos analisados, ele afirmou à Folha de S. Paulo que "era algo muito extraordinário na época, e ainda é, se recuperar de uma doença tão grave nessa faixa etária".

Com a ampliação do estudo, a Covid deixou de ser critério de seleção. Outros idosos foram incluídos progressivamente e todos passaram por entrevistas clínicas detalhadas. Amostras de sangue também foram coletadas para análises genéticas. Os participantes seguem sendo acompanhados anualmente pelos pesquisadores.

Segundo os cientistas, muitos desses idosos mantêm boa saúde ao longo do tempo. Em geral, não apresentam declínio clínico significativo. Alguns participantes falecem por causas naturais. Outros seguem ativos, lúcidos e independentes em idade muito avançada, mostrando a genética da longevidade em suas vidas.

Uma mulher idosa negra sorrindo. Imagem para ilustrar a matéria sobre a genética da longevidade. Crédito: Bricolage/Shutterstock

Genética da longevidade e o perfil dos superidosos brasileiros

A análise genética é o foco central da pesquisa. O objetivo é compreender quais genes estão associados à longevidade saudável. Isso porque os pesquisadores querem entender por que algumas pessoas envelhecem com autonomia. Outras, na mesma idade, apresentam doenças incapacitantes.

Vidigal explicou a motivação do grupo. "Nós queremos ver a genética por trás da longevidade e da qualidade de vida, porque há muitos centenários que estão muito bem de saúde", afirmou. "Então queremos entender como uma pessoa passa dos 100 anos, muitas vezes ativa e lúcida, enquanto outras com a mesma idade estão acamadas, com Alzheimer ou outras doenças", acrescentou.

O genoma de todos os participantes já foi sequenciado. Resultados preliminares mostram que genes associados à longevidade em populações europeias também aparecem no Brasil. No entanto, os pesquisadores identificaram características genéticas específicas da população brasileira. Essas particularidades podem estar relacionadas à miscigenação.

A população brasileira resulta da mistura entre europeus, africanos e povos nativo-americanos. Há também contribuição asiática, em menor escala. Essa variabilidade genética parece trazer efeitos positivos para a longevidade observada no estudo. Com isso, os dados reforçam a importância da diversidade genética.

O Brasil tem se destacado em rankings internacionais de longevidade. Em anos recentes, brasileiros lideraram listas globais de pessoas mais velhas do mundo. Para os pesquisadores, esse dado não é casual. A miscigenação pode ter influência direta nesses resultados.

Vidigal comenta esse cenário. "O Brasil tem se destacado nos rankings globais de longevidade, superando países que historicamente são bem longevos, como o Japão", afirmou. "No ano passado, o homem e a mulher mais longevos do mundo eram brasileiros. Isso chama atenção e, muito possivelmente, tem influência da miscigenação", reforçou.

A genética da longevidade dos brasileiros mais velhos

Atualmente, o homem mais velho do mundo é brasileiro. João Marinho Neto tem 113 anos e nasceu em 5 de outubro de 1912. É natural de Maranguape, no Ceará. O reconhecimento foi feito pelo Guinness World Records em novembro de 2024.

Casos familiares também reforçam o papel genético. O estudo identificou uma família com vários membros longevos. Uma mulher de 110 anos participa da pesquisa. Suas três sobrinhas têm 106, 104 e 100 anos e todas vivem em localidades diferentes.

Segundo Vidigal, o exemplo é relevante. "Houve influências ambientais diferentes, mas todas passaram de 100 anos, algo que reforça o fator genético", pontuou. Para o pesquisador, o padrão indica forte herança biológica.

Um dos objetivos do Genoma USP é identificar detalhadamente os genes associados à longevidade. A partir desses achados, poderão surgir estratégias terapêuticas. A ideia é modular mecanismos genéticos por meio de fármacos. Isso poderia beneficiar pessoas sem os mesmos padrões genéticos favoráveis.


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