O Pix Parcelado tem se expandido no sistema financeiro brasileiro sem regras padronizadas. A ausência de normas claras aumenta o risco de custos elevados e confusão para consumidores. Cada instituição financeira adota condições próprias, com variações significativas de juros, prazos e formas de cobrança.

O Banco Central decidiu não regular o Pix Parcelado no curto prazo. As regras, previstas inicialmente para setembro e depois adiadas para novembro, seguem sem data definida para publicação, segundo informação apurada pelo Estadão/Broadcast.

Durante reunião do Fórum Pix, realizada em Brasília no início de dezembro, o Banco Central informou que iria proibir o uso do nome “Pix Parcelado” pelas instituições financeiras. A informação foi divulgada pela Agência Brasil e, apesar disso, termos semelhantes continuam autorizados, como “Pix no crédito” ou “Parcele no Pix”.

Para entidades de defesa do consumidor, a mudança de nomenclatura não elimina os riscos existentes. O principal problema segue sendo a falta de padronização e transparência na oferta do crédito associado ao Pix.

Em nota, o Instituto de Defesa de Consumidores afirma que o consumidor permanece exposto a produtos distintos. As diferenças envolvem juros, encargos, forma de cobrança e informações prestadas no momento da contratação.

Segundo o Idec, o Pix Parcelado cria riscos específicos por estar integrado ao momento do pagamento. A associação com uma ferramenta amplamente confiável pode induzir decisões impulsivas.

“A modalidade de crédito atrelada ao Pix, justamente por estar presente no momento do pagamento e associada à marca mais confiável do sistema financeiro brasileiro, cria riscos únicos: contratação por impulso, confusão entre pagamento e crédito, pouca ou nenhuma compreensão dos encargos e das consequências do não pagamento”, diz a entidade.

Sem padrão, Pix Parcelado varia entre instituições

O Pix Parcelado hoje depende exclusivamente das regras definidas por cada banco. Não há uniformidade nos critérios, nem na forma de apresentação do produto ao consumidor.

Algumas instituições utilizam o nome “Pix no crédito”. Outras adotam denominações próprias, como “Divide o Pix”, no caso do Santander. Porém as diferenças não se limitam ao nome da modalidade. As formas de cobrança também variam. Em alguns bancos, as parcelas são debitadas diretamente da conta corrente. Em outros, os valores passam a integrar a fatura do cartão de crédito.

Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil, avalia que a padronização do Pix Parcelado seria um avanço importante. Ele compara a situação atual com o que ocorreu recentemente no mercado de cartões. Em 2024, entrou em vigor o teto de 100% ao ano para os juros do rotativo do cartão de crédito. A medida buscou limitar custos excessivos e aumentar a proteção ao consumidor.

Além disso, as faturas passaram a exibir informações essenciais com mais destaque. Dados como valor total, vencimento e limite disponível ficaram mais claros.

“A regulação do cartão de crédito foi um marco e acredito que a do Pix Parcelado também será quando vier”, afirma Hoffmann.

Segundo Hoffman, em entrevista ao Estadão, a padronização sempre foi uma característica central do Pix. Essa uniformidade ajudou a impulsionar a popularização do sistema no país. Independentemente do banco, termos como “chave Pix” ou “Pix copia e cola” são reconhecidos. Contudo, esse padrão ainda não chegou à modalidade parcelada.

Para Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, também ao Estadão, o cenário atual dificulta a comparação de custos. Outras linhas de crédito oferecem maior transparência. “O cliente precisa verificar qual a taxa de juros cobrada. A modalidade nada mais é do que uma opção de crédito e para isso o pagador precisa comparar antes de parcelar”, diz.

Um mulher segurando um celular com o ícone do Pix. Ao fundo, um computador mostrando produtos. Imagem para ilustrar a matéria sobre o Pix Parcelado. Crédito: Marciobnws/Shutterstock

Como fica o consumidor diante do Pix Parcelado?

Na prática, o consumidor enfrenta ofertas muito diferentes entre instituições financeiras. Essa diversidade dificulta a comparação entre taxas, prazos e custos totais. Como o Pix já faz parte da rotina de pagamentos, há risco de confusão. Com isso, muitos usuários podem não perceber que estão contratando um empréstimo com juros.

Segundo o E-Investidor, planejadores financeiros alertam que as taxas podem ser elevadas. Isso porque Pix Parcelado é uma linha de crédito sem garantia. Diferentemente do empréstimo consignado, não há desconto automático em folha. Isso tende a elevar o risco da operação para as instituições.

Cintia Senna, educadora financeira da DSOP Educação Financeira, recomenda cautela antes da contratação. Segundo ela, é essencial avaliar orçamento e finalidade do crédito. “O pagador precisa entender que há cobrança de juros, Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e que a modalidade pode pesar no bolso”, afirma.

A especialista orienta que o consumidor avalie alternativas. Nesse contexto, postergar a compra pode evitar a necessidade de recorrer ao crédito. Outro ponto de atenção é o Custo Efetivo Total, conhecido como CET. O indicador reúne juros e demais despesas da operação.

Comparar o CET com descontos oferecidos no Pix pode ajudar na decisão. Em alguns casos, o parcelamento pode não compensar. Outro ponto importante é entender a cobrança das parcelas. A falta de padrão amplia o risco de surpresas.

As regras de cada banco para o Pix Parcelado

Banco do Brasil

No Banco do Brasil, a opção está disponível no menu Pix do aplicativo. A transação mínima é de R$ 100 e o cliente precisa ter limite de crédito disponível. As parcelas são debitadas da conta corrente. Taxas e prazos dependem das condições vigentes.

Bradesco

O Bradesco iniciou a oferta do Pix no Cartão de Crédito. A funcionalidade está sendo liberada gradualmente e a taxa segue a do saque do cartão. O parcelamento pode chegar a 24 vezes. As parcelas entram na fatura.

C6 Bank

No C6 Bank, o Pix Parcelado utiliza o limite do cartão. A opção vale apenas para pagamentos a pessoas jurídicas e a taxa atual é de 5,50% ao mês. O parcelamento pode ser feito em até 12 vezes e as parcelas vão para a fatura.

Banco Inter

No Inter, o cliente precisa estar aprovado na política de crédito. A operação usa o limite do cartão e as taxas partem de 2,99% ao mês. O parcelamento pode chegar a 18 vezes e a cobrança ocorre na fatura.

Itaú

No Itaú, a opção está no menu “Pix e transferir”. O cliente escolhe o cartão e o número de parcelas. O CET é informado no momento da contratação e as parcelas entram na fatura do cartão.

Mercado Pago

No Mercado Pago, o Pix no Crédito depende de limite aprovado. Pode usar cartão ou linha de crédito própria e as condições variam conforme o perfil do cliente. O parcelamento pode chegar a 12 vezes.

Nubank

No Nubank, a opção está disponível para clientes com cartão. O pagamento pode ser feito em até 12 parcelas e os juros são informados previamente. Além disso, o cliente pode simular alternativas no aplicativo.

Santander

No Santander, a função Divide o Pix permite parcelamento de 2 a 12 vezes e o valor mínimo da transação é R$ 100. As parcelas são debitadas da conta corrente e o custo da operação é informado antes da contratação.


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