A guerra no Irã impacta preço dos alimentos no Brasil de forma direta. O conflito já pressiona toda a cadeia produtiva de proteínas animais.
Ovos, carne de frango e carne suína devem registrar reajustes ao consumidor nos próximos dias, segundo alerta da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Isso porque o conflito no Oriente Médio elevou o custo do diesel, encareceu embalagens plásticas e complicou rotas de exportação.
Com isso, um efeito cascata que vai da porteira do produtor aos supermercados está acontecendo.
De acordo com a entidade, a valorização do diesel elevou em até 20% os fretes rodoviários do setor. Esse custos incidem desde o transporte de insumos até a distribuição final dos produtos no mercado interno.
Paralelo a isso, as embalagens plásticas, derivadas do petróleo, tiveram o trajeto de abastecimento dificultado pelos conflitos no estratégico estreito de Hormuz (passagem estratégica para o escoamento de petróleo e seus derivados). Com isso, já registram aumento de até 30%.
Frete e embalagens: os dois vetores de pressão
O impacto não se limita ao combustível. A guerra no Irã impacta preço dos alimentos porque existe dependência do setor de proteína animal em relação a embalagens derivadas de petróleo.
Isso torna a cadeia mais vulnerável a choques externos como o atual conflito no Oriente Médio. Com o estreito de Hormuz sob tensão, os prazos de entrega e os custos das embalagens plásticas também dispararam.
Para produtores de ovos, frangos e suínos, que já operam com margens estreitas, a combinação de frete mais caro e embalagens em alta representa uma pressão. O que torna difícil de absorver o custo sem repassar ao preço final.
O movimento deve ser sentido primeiro nas regiões mais distantes dos centros produtores. Nesses locais, o peso do frete no custo total é até maior.
Em nota oficial, a ABPA foi direta ao apontar o risco de repasse. Segundo a entidade, “frente a este quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína”,
Guerra no Irã impacta preço dos alimentos além dos combustíveis
A preocupação demonstrada pelo setor reforça que a guerra no Irã impacta preço dos alimentos de maneira muito mais ampla do que o aumento nos postos de gasolina.
Medicamentos, eletrônicos, fertilizantes e plásticos estão entre os outros segmentos de risco. No caso da agricultura, a alta nos fertilizante pode pressionar também as safras de grãos utilizados na ração animal.
O cenário é agravado pelo momento em que os conflitos se intensificam. Isso porque o Brasil atravessa um período de demanda aquecida por proteínas animais. Esse fenômeno é chamado pelos especialistas de "boom das proteínas".
No caso dos ovos, o consumo per capita chegou a 287 unidades por brasileiro em 2025. O número representa crescimento de 6,7% em relação a 2024. Comparado com 2015, o aumento é de 33,4%, segundo estimativas da própria ABPA.
Crédito: Alf Ribeiro/Shutterstock
Preço vinham em queda, mas cenário muda
O choque externo pega o mercado em um momento de aparente equilíbrio. Os preços dos ovos acumulavam queda de 10,79% nos 12 meses anteriores, de acordo com o último IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Já a carne de porco registrava recuo de 1,62% no mesmo período. Enquanto isso, o frango inteiro caía 0,29% e o frango em pedaços, 0,19% apenas em fevereiro.
Apesar da sequência de queda no acumulado anual, os ovos já haviam registrado inflação mensal de 4,55% em fevereiro. Movimento que é explicado, em parte, pela alta demanda da Quaresma. Nesse período de tradição católica, é comum que as pessoas diminuam o consumo de carne vermelha, principalmente na Sexta-Feira Santa.
Produção cresceu, mas oferta equilibrada não garante proteção
Do lado da oferta, o setor avançou. A produção brasileira de ovos cresceu 7,9% no último ano. Foi um salto de 57,7 bilhões de unidades em 2024 para 62,2 bilhões em 2025.
Para a ABPA, "o mercado apresenta um cenário de oferta equilibrada em relação ao visto no ano passado, com crescimento dentro do esperado".
A questão que o mercado acompanha agora diz respeito ao repasse de valores. Com a guerra no Irã impactando o preço dos alimentos de várias formas, fica cada vez mais difícil evitar aumentos ao consumidor se o conflito continuar.
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