A discriminação etária (o preconceito baseado na idade) ganhou uma evidência preocupante em nova pesquisa da organização britânica Centre for Ageing Better.

O estudo, divulgado no lançamento da terceira edição da campanha Age Without Limits (Idade Sem Limites), mostra que a sociedade impõe barreiras etárias arbitrárias. Elas afetam desde o guarda-roupa até o mercado de trabalho.

A pesquisa, que contou com a participação de 4 mil entrevistados, revelou uma barreira invisível para o consumo e a expressão pessoal. Para dois terços dos 4 mil entrevistados, as pessoas deveriam abrir mão de seguir as tendências da moda por volta dos 56 anos.

O preconceito se mostra ainda mais precoce em uma parcela radical. Um em cada dez entrevistados acredita que o "prazo de validade" para estar na moda termina aos 40 anos.

No campo profissional, as notícias também não são positivas. Aos 55 anos, um candidato deixaria de ser considerado "desejável", segundo a percepção dos britânicos.

Além da moda, discriminação etária também afeta outras áreas

A pesquisa também destaca atitudes discriminatórias em relação às habilidades tecnológicas. A questão da qualidade da função cerebral a medida que as pessoas envelhecem não fica para trás.

  • Tecnologia: a crença comum é que a dificuldade de adaptação digital surge aos 61 anos. Na contramão do mito, os dados comprovam que pessoas acima de 70 anos passam mais tempo online do que quase todas as outras gerações. Eles são superadas apenas pela Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010).
  • Declínio cognitivo: muitos acreditam que o declínio cognitivo inicia aos 63 anos. Isso ignora o fato de que o envelhecimento tardio do cérebro ocorre, geralmente, mais de duas décadas após esse período.

Candidata  de meia idadeespera entrevista de emprego segurando papéis nas costas se preparando para o desempenho e com medo de sofrer discriminação etária.
Crédito: fizkes/Shutterstock

Discriminação etária no mercado de trabalho: quem impõe o preconceito?

O levantamento apresenta diferenças interessantes na probabilidade de atitudes etaristas. Essas perpectivas dependem das faixas etárias.

Existe uma faixa etária com maior probabilidade de pensar que alguém deixa de ser um candidato desejável na faixa dos 50 anos. O curioso é que essa faixa foi justamente a compreendida entre os 45 e 54 anos (41%).

Esse dado sugere um reflexo do preconceito internalizado. Algo que esse próprio grupo vivencia no mercado de trabalho.

No grupo entre 45 a 54 anos, 23% acreditam que o declínio cognitivo começa aos 50 anos. Já na faixa de 55 a 64 anos, o índice cai para 13%. Um indicador de que tais medos não se confirmam quando se chega à idade mais avançada.

Dr. Carole Easton, diretora executiva do Centre for Ageing Better, alerta sobre as implicações sociais dessas crenças. Para ela, "esse é um preconceito contra o nosso eu futuro, pois todos esperamos envelhecer um dia. A discriminação etária restringe o trabalho, a saúde, os relacionamentos, a ambição e a confiança. Em última análise, determina quais vidas são consideradas dignas de atenção".

O impacto do etarismo

A campanha Age Without Limits foi lançada em janeiro de 2024. Ela é a primeira iniciativa nacional contra o etarismo no Reino Unido e utiliza comunicação de mudança de comportamento para desafiar estereótipos.

Em seu primeiro ano, alcançou 24% dos adultos britânicos. Cerca de 10 milhões de pessoas foram impactados com a provocativa pergunta "Are You Ageist?" (Você é etarista?).

A terceira edição da campanha foca na "absurdidade do etarismo". Ela destaca como o preconceito age como barreira autoimposta.

A pesquisa mostra que pessoas na faixa dos 50, 60 atribuem a si mesmas limites etários sobre o que podem ou não fazer na vida adulta. Esse fenômeno conhecido como "etarismo internalizado" ou "discriminação etária internalizada".

O Centre for Ageing Better ressalta que erradicar a discriminação etária da sociedade teria impacto transformador em múltiplas vidas. Permitindo, assim, que todos envelheçam sem limites artificiais impostos pela percepção social.


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