Casos de HIV em idosos se tornaram um dos alertas mais urgentes da saúde pública brasileira. Dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde revelam que entre 2012 e 2022 houve um aumento de 441% no número de diagnósticos nessa faixa etária. Essa foi a única que apresentou crescimento percentual no número de óbitos ao longo dessa década.
Entre 2011 e 2021, foram registrados 12.686 diagnósticos de HIV em pessoas com 60 anos ou mais. Também foram documentados 24.809 casos de AIDS e 14.773 mortes nesse grupo.
Autoridades de saúde pública acreditam que esses números estejam diretamente ligados ao aumento da qualidade e da expectativa de vida da população. Além disso, a popularização dos medicamentos contra disfunção erétil prolongou a vida sexual de muitos homens. Esse é um fator que possivelmente ampliou a exposição a relações sexuais desprotegidas.
Esse cenário se reforça com a estimativa do próprio Ministério da Saúde. Segundo a instituição, cerca de 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos. Prazer e qualidade de vida caminham juntos, mas a equação só se completa com um terceiro elemento essencial, que é a prevenção.
Por que os casos de HIV em idosos seguem crescendo?
A baixa adesão ao uso de preservativos entre a população 60+ é apontada como um dos principais fatores. As mudanças no perfil de relacionamento dos idosos também se somam isso. Divórcios, viuvez e o uso de aplicativos de relacionamento aumentaram a frequência de novas parcerias. Muitas delas acontecem sem o cuidado preventivo adequado.
Condições biológicas próprias do envelhecimento, como a menor lubrificação vaginal e anal, a maior fragilidade das mucosas e a queda natural da imunidade, também facilitam a infecção pelo vírus.
Outro fator que agrava o cenário é o atraso no diagnóstico. Quando surgem sintomas como perda de peso, o HIV raramente é cogitado. Geralmente hipóteses como câncer e outras doenças costumam ser priorizadas. A ideia equivocada de que pessoas idosas não têm vida sexual ativa segue prejudicando tanto a prevenção quanto o diagnóstico precoce.
Crédito: Savvapanf Photo/Shutterstock
A invisibilidade que alimenta os casos de HIV em idosos
A invisibilidade da sexualidade na terceira idade também é um componente social que agrava o problema. Campanhas como o Dezembro Vermelho, instituída pela Lei nº 13.504/2017 para mobilizar o país no combate ao HIV, à AIDS e a outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), historicamente dialogam mais com o público jovem. Porém, deixam a população 60+ à margem das ações de prevenção. Derrubar mitos e tabus sobre a vida sexual nessa fase da vida é, portanto, parte indispensável do enfrentamento da epidemia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra que o HIV não é o único risco. Outras ISTs como clamídia, gonorreia, herpes e verrugas genitais também ameaçam quem mantém relações desprotegidas. A estimativa da OMS é de que, a cada ano, 131 milhões de pessoas sejam infectadas com clamídia, 78 milhões com gonorreia e 5,6 milhões com sífilis. Esses números evidenciam que a conversa sobre prevenção precisa alcançar todas as faixas etárias.
O teste rápido de HIV e como fazê-lo
O diagnóstico do HIV é realizado por meio de exames laboratoriais. Os mais conhecidos e acessíveis são o HIV anti-ELISA, e Teste Rápido, que detecta anticorpos contra o vírus em menos de 30 minutos.
No procedimento, uma gota de sangue coletada da ponta do dedo é colocada em dois dispositivos. Se os resultados coincidirem, o diagnóstico é confirmado. Já em caso de discordância, um novo teste é realizado. A confiabilidade é equivalente à dos exames convencionais, sem necessidade de repetição em laboratório.
O teste é distribuído gratuitamente em toda a rede pública de saúde. Ele permite que, em apenas meia hora, o paciente conheça o resultado e receba o serviço de aconselhamento necessário. Ampliar o acesso a esse recurso entre a população idosa é uma das medidas mais eficazes para conter o avanço dos casos de HIV em idosos no Brasil.
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