O autismo na terceira idade tem sido um tema de crescente interesse à medida que mais idosos recebem diagnósticos tardios. O transtorno do espectro autista (TEA) acompanha o indivíduo por toda a vida. Porém, muitas pessoas envelhecem sem saber que fazem parte do espectro. A falta de conhecimento sobre os sinais do autismo na velhice pode impactar a qualidade de vida. Além disso, pode dificultar o acesso ao suporte necessário.
Diagnóstico tardio e os impactos na rotina
O autismo foi mencionado pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais (DSM) em 1980. Desde então, os critérios diagnósticos passaram por mudanças significativas. Muitos idosos que não preenchiam os requisitos para o diagnóstico no passado agora são reconhecidos dentro do espectro. Isso ocorre porque, ao longo da vida, muitas pessoas desenvolveram mecanismos para mascarar suas dificuldades sociais e sensoriais. Esse fenômeno conhecido como "masking".
“Adultos e idosos são exímios mascaradores do próprio comportamento autístico”, afirma o psiquiatra Alexandre Valverde, em entrevista ao Estadão. Segundo ele, muitos aprendem a disfarçar sinais como a dificuldade de socialização e a necessidade de rotina rígida, o que pode dificultar a identificação do transtorno.
Autismo na terceira idade e os desafios do envelhecimento
Com o passar dos anos, os desafios do autismo na terceira idade se tornam ainda mais evidentes. O isolamento social, dificuldades em lidar com mudanças e a sobrecarga sensorial são algumas das barreiras que podem comprometer a qualidade de vida. Além disso, características como a hipersensibilidade a ruídos e toques são frequentemente atribuídas ao envelhecimento, o que pode atrasar ainda mais o diagnóstico.
A necessidade de suporte se intensifica na velhice. Muitas pessoas autistas precisam de alguém para acompanhá-las em tarefas cotidianas, como ir ao mercado ou resolver questões burocráticas, segundo o geriatra e psiquiatra Ivan Aprahamian. Segundo ele, a ausência desse suporte pode aumentar os riscos de depressão e transtornos de ansiedade.
Como identificar o autismo na terceira idade?
Os sinais do autismo na terceira idade podem ser sutis e variar de pessoa para pessoa. Entre os mais comuns estão:
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Dificuldade em interpretar expressões faciais e linguagem corporal;
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Preferência por rotinas rígidas e resistência a mudanças;
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Hipersensibilidade a sons, luzes e texturas;
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Interesse intenso por determinados assuntos;
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Maior propensão ao isolamento social.
Embora o conhecimento sobre o autismo tenha avançado, ainda existem lacunas na identificação da condição em idosos. “Questões como independência, moradia, emprego e participação na comunidade assumem uma importância ainda maior durante o processo de envelhecimento”, pontua a gerontóloga Thais Lima-Silva.
Crédito: Andrii Nekrasov/Shutterstock
Falta de suporte para idosos autistas no Brasil
O envelhecimento da população brasileira traz desafios adicionais para o atendimento de idosos autistas. De acordo com o Censo de 2022, o Brasil terá cerca de 58,2 milhões de pessoas acima dos 60 anos em 2060. No entanto, a quantidade de profissionais especializados ainda é insuficiente. Segundo Thais, em entrevista ao Estadão, se considerarmos apenas geriatras com conhecimento sobre neurodivergência, o número é ainda menor.
A acessibilidade também precisa ir além das questões físicas. Para garantir o bem-estar de idosos autistas, especialistas recomendam ambientes adaptados com áreas de descanso, redução de estímulos sonoros e comunicação visual mais clara. Além disso, é essencial que profissionais de saúde sejam capacitados para identificar sinais do TEA em idosos e oferecer o suporte adequado.
Como buscar ajuda?
Se houver suspeita de autismo na terceira idade, é fundamental procurar um clínico geral ou geriatra para encaminhamento a um especialista. O diagnóstico pode envolver avaliações multidisciplinares e testes específicos. No Sistema Único de Saúde (SUS), é possível buscar atendimento nos Centros Especializados de Reabilitação (CER), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e unidades básicas de saúde.
O reconhecimento do autismo na terceira idade pode ser transformador. Entender as próprias necessidades, buscar redes de apoio e adaptar a rotina pode melhorar significativamente a qualidade de vida de pessoas que passaram a vida sem saber que fazem parte do espectro.
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