O impacto do calor na saúde dos idosos tornou-se uma preocupação central para cientistas e autoridades de saúde pública mundial. Recentemente, uma pesquisa detalhada com 3.686 norte-americanos revelou dados alarmantes sobre o estresse térmico em organismos mais velhos.
O estudo aponta que viver muitos dias de calor intenso acelera o envelhecimento biológico das células. Essa descoberta é fundamental em um cenário de aquecimento global acelerado e ondas de calor cada vez mais frequentes.
Como o calor acelera o relógio biológico
Para entender o impacto do calor na saúde dos idosos, os pesquisadores analisaram exames de sangue de participantes com 56 anos ou mais. Eles cruzaram esses dados biológicos com o histórico climático das regiões onde essas pessoas viviam habitualmente. O padrão identificado foi muito claro e direto: quanto maior a sensação térmica, maior a idade biológica estimada.
Na prática, isso significa que o organismo sofre um desgaste acelerado em ambientes muito quentes. O corpo passa a "marcar" mais anos do que a idade registrada no documento de identidade. O estudo utilizou ferramentas modernas chamadas relógios epigenéticos para medir esse desgaste interno de forma precisa.
Esses relógios analisam marcas químicas no DNA, conhecidas tecnicamente como metilações que funcionam como um contador interno do corpo humano. Quando essas marcas avançam mais rápido do que o esperado, sinalizam maior probabilidade de problemas de saúde futuros.
Entenda o impacto do calor na saúde dos idosos e nas células
Os dados mostram que o estresse térmico pode ativar processos inflamatórios persistentes. Isso altera as marcas do DNA e acelera o envelhecimento celular ao longo do tempo. O trabalho não considerou apenas a temperatura seca do ar, mas o índice de calor total. Esse índice combina os graus Celsius com a umidade para refletir a sensação real de abafamento.
Os resultados das medições chamam a atenção pela rapidez com que os efeitos aparecem no organismo. Uma semana de calor constante associou-se ao aumento de pouco mais de um ano na idade biológica. Em períodos mais longos, o impacto foi ainda mais profundo e preocupante para os especialistas.
Viver um ano com muitos dias quentes resultou em até 2,5 anos extras de envelhecimento biológico. Quando a exposição alta se manteve por seis anos, a taxa de envelhecimento fisiológico foi 5% mais rápida. Isso reforça a tese de que o corpo acumula danos graves com o calor crônico e persistente.
Crédito: Kleber Cordeiro/Shutterstock
Vulnerabilidade e riscos biológicos
O foco em pessoas idosas ocorre porque este grupo é naturalmente mais vulnerável às variações extremas de temperatura. O corpo nessa faixa etária regula a temperatura interna com muito mais dificuldade do que um organismo jovem. Além disso, muitos idosos dependem de medicamentos que podem interferir na hidratação e na circulação sanguínea.
As alterações no funcionamento dos órgãos tornam o enfrentamento de ondas de calor uma tarefa árdua para o corpo. Isso aumenta exponencialmente o risco de desidratação, exaustão térmica e internações hospitalares urgentes. O envelhecimento celular captado pelo estudo pode ser o elo entre o clima e doenças cardiovasculares e respiratórias.
Ciência e políticas públicas necessárias
A pesquisa foi publicada originalmente na prestigiada revista Science Advances por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia. Segundo o estudo, a alta temperatura pode acelerar o envelhecimento em nível molecular e celular em pessoas mais velhos. Essa afirmação técnica fundamenta a necessidade urgente de novas estratégias de proteção social.
Especialistas defendem que entender este efeito biológico ajuda a embasar políticas públicas mais eficientes e direcionadas. Isso inclui a criação de mais áreas verdes nas cidades e ampliação de abrigos climatizados para a população. Campanhas de proteção em períodos de calor extremo devem focar prioritariamente nos cidadãos com mais de 60 anos.
O cenário de mudanças climáticas torna o impacto do calor na saúde dos idosos um risco silencioso e constante. Em grandes cidades, o excesso de asfalto e a falta de sombra potencializam o desgaste sofrido pelo organismo. Ajustar a rotina ao clima deixou de ser apenas uma questão de conforto pessoal para os idosos. Agora, o cuidado com a temperatura é considerado um pilar básico de saúde e sobrevivência.
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