Prezados leitores,

Durante a pandemia, muito se louvou o SUS, o Sistema Único de Saúde, em razão da sua capacidade de levar ao braço de todos os brasileiros as tão necessárias vacinas da COVID. Das florestas do Acre às periferias das grandes capitais, a complexa operação logística (as vacinas têm que ser transportadas em baixíssimas temperaturas), somada à enorme capilaridade de profissionais de saúde aptos a aplicar a imunização, orgulhou a nação, que bradou: “Viva o SUS!”. Eu concordo inteiramente com a homenagem. No entanto, gostaria de provocar a reflexão de vocês, que acompanham nosso portal.  

Haverá outros motivos para orgulho nacional originados do pacto social iniciado em 1988? Eu creio que sim. Do ponto de vista da nossa Constituição, o SUS está embaixo de um “guarda-chuva” chamado Seguridade Social, que é composto também pela Previdência Social e pela Assistência Social. A avaliação que comumente se tem sobre o SUS é de que poderia atender melhor a população. Ainda assim, percebemos que devemos dele nos orgulhar (ainda que apenas na hora de maior necessidade). Não seria o mesmo caso com os outros elementos da Seguridade?
Casal sênior conversando com agente da companhia de seguros e parecendo envolvido. Imagem para ilustrar a matéria sobre Seguridade Social.Crédito: Dmytro Zinkevych/shutterstock

Vejamos: hoje, 85% das pessoas maiores de 65 anos no Brasil recebem algum tipo de renda da Seguridade social. Isso é trabalho do INSS e do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, que pagam benefícios previdenciários ou assistenciais a essa grande massa. Vale dizer que essa proteção financeira não beneficia apenas os idosos. Em 2020, no auge da pandemia, a renda das pessoas idosas era majoritária (maior que 50%) em 20,6% do total de domicílios brasileiros, e 4,8 milhões de crianças e adultos residentes em domicílios com pessoas idosas dependiam exclusivamente da renda do familiar mais velho. Será que não deveríamos também dizer “Viva a Previdência Social!

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