O controle financeiro pessoal ainda é tipo de conhecimento em falta para 91% dos brasileiro, segundo a pesquisa Acrobacia Financeira, feita pela Consumoteca a pedido do Inter. Para seis em cada dez entrevistados, aprender mais sobre educação financeira ajudaria a resolver os problemas atuais.
No estudo, a imagem da corda bamba descreve a rotina do brasileiro. Uma alusão à falta de equilíbrio em meio às finanças. A pesquisa revela que menos de 30% dizem que a vida financeira está em ordem e apenas 23% conseguem guardar dinheiro regularmente.
Além disso, segundo o levamento, a instabilidade tem custo emocional. Os dados mostram que 84% já tiveram problemas de saúde física ou mental por preocupações com dinheiro.
O levantamento teve três etapas, com 12 entrevistas em profundidade, 12 missões com vídeos, fotos e relatos espontâneos e um painel online com 1.540 entrevistas. A amostra foi dividida entre classes, gênero, faixa etária e regiões do país. Confira mais detalhes abaixo.
Por que o controle financeiro pessoal não sai do papel?
Existe um descompasso entre saber o que é um controle financeiro pessoal e conseguir fazer.
Seis em cada dez brasileiros até se planejam, mas não seguem o plano à risca e o motivo está na rotina, marcada por falta de tempo, renda instável e imprevistos.
Quando o dinheiro aperta, a prioridade é o curto prazo. Segundo a pesquisa, 78% deixam de comprar coisas de que gostam e 76% reduzem as saídas. Outros 37% apontam a busca por renda extra como principal estratégia diante das crises.
O planejamento de longo prazo aparece em outro grupo, com os 23% que vivem com sobra de dinheiro. É entre eles que surgem práticas como organização do orçamento e revisão periódica das contas.
Além disso, a renda também pesa. Na classe A, 59% das pessoas estão tranquilas com as finanças.
Crédito: Krakenimages.com/Shutterstock
O que o brasileiro busca ao aprender sobre finanças
O interesse pelo controle financeiro pessoal vai além de economizar. Entre os motivos citados para estudar educação financeira, estão:
- Aprender a investir e multiplicar o dinheiro (61%);
- Organizar melhor as finanças (56%);
- Aprender a economizar (43%);
- Sair das dívidas (31%).
Os dados mostram um aprendizado voltado ao futuro, enquanto a dor atual está nas contas do mês. Além disso, 86% acreditam que é preciso formar uma reserva de emergência antes de investir. Por outro lado, 54% ainda veem o investimento como algo para quem tem dinheiro sobrando.
Crédito segue entre apoio e insegurança
O crédito faz parte dessa equação. Segundo o estudo, 56% dos brasileiros recorreram a ele no último ano. O cartão é o recurso mais usado nos momentos de maior tensão, e 39% utilizam o limite para ganhar prazo de pagamento.
A falta de clareza também gera desconforto. De acordo com a pesquisa, 50% já tiveram crédito negado sem entender o motivo e 63% afirmam que aprender estratégias para aumentar o limite e melhorar o perfil financeiro ajudaria na relação com os bancos.
Tecnologia entra no controle financeiro pessoal
Nesse contexto, as ferramentas do dia a dia ganham espaço. Segundo o estudo, 74% confiam nos aplicativos bancários para gerir suas finanças enquanto outros 60% confiam nas inteligências artificiais. Já os influenciadores financeiros têm a confiança de 48%.
Outros números mostram a força dos apps. Entre os entrevistados, 92% acreditam que eles ajudam, em alguma medida, na educação financeira e no controle financeiro pessoal. Além disso, 67% já usam aplicativos bancários para organizar a vida financeira.
O ambiente digital também reduz barreiras. Para 72%, pedir empréstimo pelo app é melhor porque não há vergonha e nem julgamento.
Segundo o estudo, o desafio é adaptar o aprendizado à rotina. Algumas estratégias podem ajudar são:
- Ferramentas simples e intuitivas, integradas ao dia a dia;
- Conteúdos práticos, voltados para decisões reais e imediatas;
- Acompanhamento contínuo da evolução financeira;
- Integração entre planejamento de curto e longo prazo.
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