Caros amigas e amigos do Instituto de Longevidade,

É tempo de celebrar. Neste abril de 2026, a organização que tenho a honra de presidir, e que conta com o envolvimento de vocês, completa 10 anos de atividades contínuas. É um grande feito, cujo mérito de ter sido realizado podemos atribuir ao envolvimento de leitores, associados e apoiadores espalhados pelo Brasil.

Acredito piamente que a contribuição que o Instituto de Longevidade MAG vem dando à sociedade é relevante. Nossa mensagem de estímulo a que cada um se aproprie de seu futuro é urgente. Esta apropriação passa, indispensavelmente, por pensar e agir de forma prospectiva. Não se trata de tarefa simples. É preciso estudar, estar antenado, se empenhar, a fim de estar preparado para a longevidade.

Neste sentido, ao mesmo tempo em que não escondo o orgulho do papel educativo e propositivo que desempenhamos, é com uma ponta de tristeza que observo a passividade da sociedade em se engajar de forma sistêmica nesta transformação.

Observemos a discussão previdenciária, talvez a única que mobiliza profundamente a sociedade em torno de um debate sobre a longevidade. O fato de a repetirmos periodicamente é mais sintoma da nossa incapacidade de dar encaminhamentos definitivos do que um sinal de apreço pelo planejamento futuro.

Na última vez em que a travamos – entre 2016 e 2017, anos que parecem distantes no passado, frente à urgência fiscal – fiz parte de um grupo de trabalho que colocou à disposição da sociedade uma proposta que tinha por objetivo ser esta solução definitiva.

O cerne da proposta consistia na instituição de um sistema multipilar, organizado conforme explico abaixo.

  • Pilar 1: renda básica do Idoso, financiada pelo Tesouro Nacional, não condicionada a contribuição prévia, para todas as pessoas acima de 65 anos;
  • Pilar 2: sistema de repartição, conforme o vigente, financiado por empresa e trabalhador, acessível por contribuintes ao sistema por pelo menos 40 anos e de no mínimo 65 anos, com teto então estimado em R$1.650 (equivalente a 30% do teto vigente em 2017, aproximadamente). Nos pilares 1 e 2, se encontraria 75% da força laboral do país;
  • Pilar 3: capitalização compulsória para indivíduos de renda superior a R$2.200 (soma da Renda básica do Idoso com o teto do pilar 2), valendo-se de ao menos 30% dos depósitos do FGTS para formação de uma poupança equivalente a três salários de cada pessoa.
  • Pilar 4: a previdência complementar voluntária, tal como existe hoje.

Este modelo, que não obteve êxito, decretaria não apenas o fim da aposentadoria por tempo de contribuição – um dos pontos altos da proposta implementada em 2019. Também poria fim ao tratamento diferenciado entre civis, militares e servidores públicos – o que alimenta uma contínua percepção de injustiça na sociedade.

E, muitíssimo relevante, não afetaria em nada os então trabalhadores da ativa e aposentados. Na iminente perspectiva de voltarmos a discutir a agenda previdenciária – ou melhor: a agenda do Brasil futuro que queremos, pois é disso que se trata – não tenho expectativa que uma próxima Reforma da Previdência, por profunda que seja, possa assegurar a preservação dos chamados direitos adquiridos.

Isto é apenas uma percepção. A certeza virá de um novo estudo, tal como o realizado por nós em 2017. Em todo caso, neste 2026 em que celebramos os 10 anos do Instituto de Longevidade MAG; em que celebro também meus 90 anos; e em que teremos a oportunidade de mobilizar a população em uma discussão sobre o futuro – pelas eleições presidenciais – a grande razão para festejarmos seria uma Nova Previdência, tal como a que descrevi acima.

Por favor, continuem marchando ao nosso lado por uma preparação cada vez maior, em nível individual e coletivo, para uma vida longa, próspera e feliz.

Cordialmente, Nilton Molina


Leia também:

Nilton Molina: o vendedor de futuros que criou o Instituto de Longevidade MAG

Aprendendo com você e para você: a força do conhecimento após os 50 anos

Previdência privada 2026: 5 tendências para proteger seu futuro financeiro

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: