O aumento de casos de câncer em jovens tem chamado a atenção de pesquisadores em diferentes países. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos cresceram 79,1% nas últimas três décadas. Diante desse cenário, um novo estudo internacional buscou entender quais fatores de estilo de vida estão relacionados a essa tendência.

O que mostra o novo estudo internacional

A pesquisa, publicada na National Library of Medicine, analisou dados de mais de 260 mil pessoas. Os cientistas queriam avaliar a relação entre cinco fatores modificáveis e o risco de câncer. Os fatores estudados foram:

Durante o acompanhamento, foram registrados os chamados “cânceres de início precoce”. Entre os homens, foram 361 casos. Já entre as mulheres, o número foi de 2.618. Desses, 1.765 eram de câncer de mama. Além desso, os outros tipos avaliados foram de pulmão, colorretal, estômago, fígado, colo do útero, esôfago e bexiga.

É importante lembrar que o número de mulheres participantes era maior no estudo. Isso ajuda a explicar parte da diferença entre os grupos.

Alguns hábitos apareceram associados a um risco menor. Entre os homens, menor exposição ao tabagismo esteve associada a um risco reduzido de câncer. Já entre as mulheres, fumar menos, manter um índice de massa corporal mais baixo e praticar mais atividade física apareceram como proteção.

No caso específico do câncer de mama, houve um destaque. A atividade física foi o único fator com associação estatisticamente significativa. O consumo de álcool não mostrou relação direta nesta análise, assim como a alimentação.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam que adotar hábitos saudáveis ainda nas primeiras fases da vida pode ajudar na longividade e prevenção de doenças.

Uma mulher paciente sendo acolhida pela médica após receber um diagnóstico ruim em um consultório, ilustrando o aumento de casos de câncer em jovens. Crédito: fizkes/Shutterstock

Aumento de casos de câncer em jovens também preocupa o Brasil

O aumento de casos de câncer em jovens não é uma preocupação isolada. No Brasil, o tema também vem sendo estudado com atenção. Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Cancerologia, ligado ao Instituto Nacional de Câncer (INCA), avaliou a incidência e a mortalidade em adultos jovens. Foram analisadas pessoas de 20 a 39 anos em São Paulo e na região de Barretos.

O levantamento considerou dois períodos distintos. Os dados de incidência vão de 2002 a 2018, enquanto os dados de mortalidade cobrem o período entre 2000 e 2020. Entre os homens jovens, leucemias, tumores do sistema nervoso central e câncer colorretal se destacaram nas mortes. Entre as mulheres, o cenário foi diferente. Câncer de mama, câncer do colo do útero e câncer colorretal apareceram com mais frequência.

Esses dados têm um valor prático importante, pois podem orientar ações de prevenção, além de ajudar a definir estratégias de rastreamento voltadas para os mais jovens.

Tendências nacionais reforçam o alerta

Outro levantamento reforça essa preocupação. O estudo foi feito pelo Observatório de Oncologia e comparou dois grupos, entre 1996 e 2019. De um lado, pessoas de 20 a 49 anos. Do outro, pessoas com 50 anos ou mais.

O estudo identificou crescimento de câncer colorretal, de pele, de mama feminina, de próstata e de tireoide nas taxas entre os mais jovens. Juntos, os dados nacionais e internacionais apontam na mesma direção.

Mesmo que o câncer em adultos jovens ainda represente uma fatia menor do total de casos, o tema vem ganhando espaço nas discussões científicas.

Hábitos de vida como estratégia de prevenção

A ciência ainda busca compreender os fatores envolvidos nesse cenário, como aspectos genéticos, ambientais, sociais e comportamentais. Entre esses fatores, os hábitos se destacam. Eles representam uma via concreta de prevenção, ao alcance das pessoas no dia a dia.

Isso não significa que o câncer tenha uma única causa. Também não significa que ele possa ser evitado em todos os casos. Mas o ponto central é que estratégias de promoção da saúde desde cedo fazem diferença. Isso inclui estímulo à atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso e combate ao tabagismo.

O aumento de casos de câncer em jovens, segundo especialistas, é um sinal de alerta. Mais do que isso, é um convite para repensar hábitos ainda na juventude. Pequenas mudanças hoje podem ter impacto significativo ao longo da vida.


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