A febre pode parecer, à primeira vista, apenas uma alteração na temperatura corporal. Talvez seja a mais evidente e conhecida, mas está longe de ser a única. Quando um episódio febril se manifesta, uma série de ajustes acontece no corpo, inclusive no funcionamento do coração.

Mas o que provoca a febre? Na maioria das vezes, ela está relacionada a uma infecção. Nesse caso, a resposta do organismo à presença de vírus, bactérias ou outros agentes gera uma alteração temporária na regulação da temperatura corporal, levando ao seu aumento. Infecções virais e bacterianas estão entre as causas mais comuns, mas a febre também pode aparecer em outras situações.

Essa elevação da temperatura, o processo infeccioso e a perda de líquidos podem acelerar os batimentos e modificar a circulação do sangue. Como consequência, o coração trabalha de maneira diferente do habitual, aumentando a exigência sobre o sistema cardiovascular.

Em geral, o órgão consegue lidar com essa sobrecarga, e os efeitos costumam desaparecer conforme o fator desencadeante é controlado. Em pessoas com mais idade ou com doenças envolvendo o coração e os vasos sanguíneos, porém, esse cenário requer atenção e acompanhamento.

Por que a febre acelera os batimentos?

A elevação da temperatura corporal aumenta a atividade metabólica. Com isso, os tecidos passam a consumir mais energia e oxigênio, enquanto a circulação precisa se adaptar às novas condições. A frequência cardíaca tende a acompanhar essa maior demanda, fazendo com que o coração bata mais vezes por minuto.

A própria infecção pode influenciar os batimentos. A resposta inflamatória libera substâncias que interferem na regulação cardiovascular e contribuem para essa aceleração. Por isso, a intensidade dessa resposta não depende apenas do número mostrado pelo termômetro, mas também da razão e da evolução do processo infeccioso.

Febre e perda de líquidos

É possível que a febre venha acompanhada de suor, respiração mais rápida e redução da ingestão de líquidos. Vômitos e diarreia, quando presentes, intensificam a perda de água e sais minerais. Com menos líquido disponível na circulação, a pressão arterial sofre uma redução, enquanto os batimentos aceleram para ajudar a manter o fluxo sanguíneo. A situação requer cuidado quando a reposição não acompanha as perdas, especialmente em pessoas mais suscetíveis à desidratação.

Por que os idosos merecem atenção especial?

Com o envelhecimento, alguns mecanismos de regulação se tornam menos eficientes. A percepção da sede diminui e a capacidade de compensar mudanças na pressão e no volume de líquidos também pode ser menor. O uso de determinados medicamentos e a presença de doenças crônicas acrescentam outros fatores a serem considerados.

Mais um ponto merece atenção: em pessoas mais velhas, uma infecção nem sempre provoca febre alta. A resposta febril pode ser menos intensa nessa fase da vida, fazendo com que a temperatura se eleve pouco ou permaneça sem alterações significativas. Mudanças repentinas no estado mental, na disposição ou na capacidade de realizar atividades habituais ganham importância como sinais de alerta.

Um casal de idosos verificando o termômetro com cara de assutados após terem febre. Crédito: DimaBerlin /Shutterstock

E quem tem algum problema no coração?

Para quem tem insuficiência cardíaca, doença coronariana, arritmias ou outras condições cardiovasculares, a questão não é apenas a temperatura. A combinação entre infecção, aumentos dos batimentos, alterações da pressão e eventual perda de líquidos representa uma carga adicional para um coração que já tem menor capacidade de compensação.

Nesses casos, uma infecção aguda favorece a descompensação de uma doença que estava controlada. Distúrbios do ritmo cardíaco estão entre as complicações que justificam uma avaliação mais cuidadosa, sobretudo em pessoas mais velhas.

Isso não significa que toda febre seja perigosa para quem tem um comprometimento envolvendo o coração. O que importa é acompanhar a evolução e reconhecer sinais que indiquem uma mudança em relação ao padrão habitual.

Quando é hora de procurar ajuda?

Como dito, é comum que os batimentos fiquem mais acelerados durante episódios de febre e, isoladamente, isso não significa uma complicação cardíaca. O cenário muda quando eles permanecem muito rápidos em repouso, ficam irregulares ou surgem junto de outros sintomas, sugerindo maior comprometimento cardiovascular ou uma infecção mais grave.

Falta de ar, dor ou pressão no peito, palpitações persistentes, desmaio, confusão mental, fraqueza intensa ou queda importante da pressão são sintomas que justificam avaliação médica. Em idosos, sonolência incomum, quedas, piora súbita da disposição ou redução da ingestão de líquidos são sinais que devem ser igualmente considerados.

Mais do que baixar a temperatura

A febre não deve ser analisada apenas pelo número que aparece no termômetro. A causa, a duração, os sintomas associados e as condições de saúde de cada pessoa ajudam a determinar o significado daquela alteração. É essa leitura do conjunto que permite diferenciar uma reação esperada diante de uma infecção de uma situação que exige maior cuidado.


Planejamento é fundamental para cuidar da sua saúde e garantir a Longevidade Financeira. Por isso, preparamos uma planilha exclusiva para você anotar todos os seus gastos e não perder o controle. Preencha o formulário a seguir e baixe a planilha gratuitamente!

Planilha de Planejamento Financeiro

Preocupado com as contas ao final do mês? Baixe a planilha GRATUITA de planejamento financeiro e fuja do vermelho!

Livro

Leia também:

Panturrilha é o segundo coração: entenda a função e como fortalecer as pernas

Quando o coração adoece sem sintomas

Coração de mulher na menopausa: atenção redobrada

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade MAG em seu e-mail. Inscreva-se: