O salário mínimo 2026 foi confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento nesta quarta, dia 10 de dezembro. O novo valor será de R$ 1.621, um aumento de R$103 comparado ao salário mínimo de 2025, representando um amento de 6,79%.
O valor, apresentado pelo Ministério do Planejamento, é menor que o previsto anteriormente. Anteriormente, a expectativa é que o novo salário mínimo fosse de R$ 1.631 (um aumento de 7,18%). A atualização considera a desaceleração da inflação e o índice acumulado pelo IPCA-15, que atingiu 4,18% em 12 meses até novembro.
O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo. O método considera a inflação do INPC e o crescimento do PIB dos últimos dois anos. Esse crescimento é limitado a 2,5%, como definido no novo arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso.
Segundo o governo, as projeções presentes no PLOA indicam aumentos graduais até 2029. Se não houver revisão depois, o piso nacional pode chegar a R$ 1.725 em 2027. Em 2028, pode ser R$ 1.823. E em 2029, pode ser R$ 1.908.
O valor atualizado do salário mínimo para 2026 é quatro reais a menos. Isso é diferente do que estava no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). O PLDO foi enviado em abril e previa um piso de R$ 1.631.
Impacto fiscal do reajuste do salário mínimo
O governo estima que cada aumento de R$ 1 no salário mínimo custa R$ 429,3 milhões por ano. Esse valor afeta as despesas públicas. Em contrapartida, a arrecadação previdenciária aumentou em R$ 7,4 milhões. Isso resultou em uma redução líquida de R$ 422 milhões no resultado do governo central.
O salário mínimo 2026 afeta diretamente as contas públicas por ser referência para o pagamento de benefícios da previdência e sociais. As aposentadorias e pensões do INSS não podem ser menores que o salário mínimo. Hoje, 70% dos benefícios pagos são iguais a um salário mínimo. Isso representa cerca de 28 milhões de segurados.
Entre os benefícios atrelados ao salário mínimo estão o BPC e o abono salarial. O piso também influencia contratos de trabalho, contribuições previdenciárias e o cálculo de indenizações trabalhistas.
Crédito: rafastockbr/Shutterstock
Salário mínimo 2026: como fica o líquido?
Camila Pellegrino, sócia especialista em direito previdenciário do escritório Pellegrino & Galleti Advocacia, falou à Folha de S. Paulo. Ela explicou como fica o salário líquido com os descontos obrigatórios.
“Se alguém recebe um salário mínimo (em 2025, R$ 1.518), há o desconto do INSS, com a alíquota mínima para o piso, de 7,5%. O Imposto de Renda não será descontado, pois o salário mínimo está abaixo da faixa mensal de isenção. Com o desconto do INSS, o salário líquido seria de R$ 1.404,15”, afirmou a advogada.
Outros descontos podem ocorrer, dependendo da empresa ou do contrato. Entre eles estão vale-transporte, vale-refeição, planos de saúde, seguros e pensão alimentícia, caso haja determinação judicial.
Alíquota de desconto do INSS
Camila lembra que a alíquota do INSS para empregados com carteira assinada é progressiva, variando conforme a faixa de salário. Para 2025, os percentuais são:
-
Até R$ 1.518,00 – 7,5%
-
De R$ 1.518,01 até R$ 2.793,88 – 9%
-
De R$ 2.793,89 até R$ 4.190,83 – 12%
-
De R$ 4.190,84 até R$ 8.157,41 – 14%
“Há também um teto de contribuição: para quem ganha acima de R$ 8.157,41, a base de contribuição fica limitada a esse teto. Ou seja, não se contribui sobre salário superior a esse valor para fins de INSS”, explicou.
Para quem recebe acima do salário mínimo, o reajuste anual dos benefícios do INSS segue o INPC acumulado no ano. O Ministério da Fazenda cortou a previsão para 4,46% em novembro.
Esse número é menor que os 4,66% que eram esperados antes. Também é abaixo do aumento de 4,77% que foi aplicado em 2025. Se confirmado, o teto do INSS passará de R$ 8.157,41 para R$ 8.521,23 em janeiro.
Salário mínimo regional e diferenças entre estados
Além do piso nacional, alguns estados possuem o chamado salário mínimo regional, autorizado por lei estadual. Esse valor pode ser maior que o piso federal, mas nunca inferior.
Desde 1º de julho, por exemplo, o estado de São Paulo passou a adotar um salário mínimo regional de R$ 1.804. O reajuste, de 10% em relação ao anterior, foi sancionado em maio pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O aumento garantiu um ganho real de cerca de 5% acima da inflação, segundo o governo estadual.
Salário mínimo ideal segundo o Dieese
O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula todo mês o salário mínimo ideal. Esse valor é para uma família com dois adultos e duas crianças que consomem como adultos. Em agosto, o valor estimado foi de R$ 7.147,91.
O cálculo parte do custo da alimentação apurado na pesquisa da cesta básica. Patrícia Costa, economista do Dieese, explicou à Folha que o estudo considera a cesta básica de maior valor do país. Segundo a especialista, assume-se que os gastos com alimentação correspondem a 35,78% do orçamento familiar. A partir disso, estima-se o salário que seria necessário para cobrir as demais despesas.
O salário mínimo 2026, portanto, está longe do valor apontado pelo Dieese como ideal para garantir o bem-estar de uma família. No entanto, a política de valorização quer preservar o poder de compra. Ela também busca reduzir desigualdades. O piso serve como referência para milhões de brasileiros.
Planejamento é fundamental para garantir a Longevidade Financeira. Por isso, preparamos um material exclusivo para te ajudar e ter mais controle quando o assunto é tomar crédito. Baixe gratuitamente a Cartilha de Crédito Consciente e veja como ter sucesso financeiro!
Leia também:
Organização financeira para o fim do ano garante festas sem sufoco
Dicas para organizar as finanças depois do 60 anos: confira 10 estratégias
Acumular dinheiro: por que alguns idosos só pensam nisso?