A realidade de ter uma renda insuficiente para despesas básicas atinge atualmente 59% dos cidadãos brasileiros, segundo o Datafolha. O levantamento revela um cenário de profunda fragilidade econômica nas famílias. Quase metade da população buscou fontes alternativas de ganho nos últimos meses.

Além disso, 40% dos entrevistados relataram perda de ganhos recentes. Esse panorama reforça a percepção de aperto financeiro em diversas camadas sociais. O custo de vida elevado tem superado a capacidade de pagamento das famílias e, com isso, muitos brasileiros precisam fazer escolhas difíceis para sobreviver ao final do mês.

A diferença entre as classes sociais

O sentimento de escassez é mais agudo entre quem ganha até dois salários mínimos. Nesse grupo, 70% afirmam que o dinheiro não cobre os custos básicos, o que sinaliza um quadro de vulnerabilidade extrema nas faixas de menor renda.

A pesquisa mostra que o orçamento dessas famílias está no limite máximo. Não há margem para imprevistos ou gastos extras com saúde ou educação. Para esses brasileiros, a renda insuficiente para despesas é uma luta diária e a discrepância entre preços e salários gera um ciclo de privações constante.

Por outro lado, o fenômeno da busca por renda extra cresce entre os mais escolarizados. Pessoas com ensino médio e superior lideram a procura por atividades paralelas.

Especialistas apontam que o mercado de trabalho está aquecido, mas paga pouco. Com isso, a remuneração atual é considerada insuficiente para sustentar o custo de vida desejado, o que obriga profissionais qualificados a buscarem bicos ou trabalhos informais.

Por que a renda insuficiente para despesas atinge até quem tem escolaridade alta?

O desequilíbrio entre o salário recebido e os preços dos serviços é a causa principal. Mesmo com emprego fixo, muitos brasileiros não conseguem fechar as contas e o fenômeno é mais comum do que se imagina. Segundo a pesquisa, isso contexto atinge pessoas de 35 a 44 anos de forma severa.

Quase metade dessa faixa etária relatou queda nos ganhos recentemente e esse é um grupo que geralmente possui dependentes e custos fixos elevados. A pressão sobre o orçamento dessa parcela da população é visível nos dados.

De uma forma geral, muitos brasileiros vivem uma contradição econômica. Existe ocupação, mas o valor real do dinheiro diminuiu drasticamente. Já entre os entrevistados com ensino fundamental, a busca por extra é menor, mesmo que o grupo conte com maior presença de aposentados e donas de casa. Também há menos pessoas ativamente procurando emprego nessa faixa de escolaridade.

Mãos de uma mulher abrindo uma carteira vazia. Ao fundo, estão uma calculadora e contas para pagar. Imagem para ilustrar a matéria sobre renda insuficiente para despesas. Crédito: Grusho Anna /Shutterstock

Endividamento e o ciclo da inadimplência no Brasil

A falta de dinheiro leva inevitavelmente ao uso do crédito. O Datafolha constatou que 67% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida financeira. Além disso, 21% da população já está com pagamentos em atraso.

O cartão de crédito parcelado lidera o ranking das contas não pagas, seguido pelos empréstimos bancários e os tradicionais carnês de lojas. A situação é ainda mais crítica para quem pediu dinheiro emprestado a conhecidos. Entre esses, 41% afirmam estar devendo e sem condições de quitar.

A renda insuficiente para despesas empurra o cidadão para as linhas de crédito mais caras e o uso do crédito rotativo é um exemplo claro desse desespero financeiro. Cerca de 27% dos brasileiros utilizam essa modalidade com alguma frequência. O Banco Central aponta juros médios de 14,9% ao mês nessa linha.

O cartão de crédito se tornou uma extensão perigosa do salário mensal, com 57% dos brasileiros usando constantemente. O dado mais preocupante é o uso para itens de sobrevivência. Cerca de 13% parcelam compras de supermercado com frequência rotineira, enquanto outros 4% pagam contas de água e luz no cartão de crédito.

Existe uma percepção de que o crédito facilita o endividamento. Para 68%, as ofertas via celular incentivam gastos por impulso. Além disso, 51% dizem ser impossível fechar o mês sem o cartão.

Isso cria uma dependência perigosa e um endividamento em cascata. O uso de um cartão para pagar a fatura de outro já é realidade para 15% da população. Esse comportamento reflete o desespero de quem convive com a renda insuficiente para despesas básicas.

Cortes drásticos no consumo de itens básicos e alimentação

Para enfrentar a crise, as famílias estão sacrificando o consumo essencial. O levantamento indica que 64% reduziram os gastos com lazer e entretenimento. No entanto, o corte chegou até na mesa dos brasileiros, com cerca de 60% passando a comer menos fora de casa. Outros 52% afirmam ter diminuído a quantidade de alimentos comprados no mercado.

Metade da população também reduziu o consumo de água, luz e gás. Além disso, 38% interromperam o pagamento de dívidas ou compra de remédios. Nesse contexto, ter renda insuficiente para despesas gera diversos tipos de privação.

Além disso, a ausência de uma rede de segurança financeira é alarmante no país. Segundo a pesquisa, 66% dos brasileiros não possuem qualquer tipo de poupança. Entre os poucos que guardaram algo, o valor é muito baixo.

Apenas 12% manteriam as despesas por menos de três meses, caso alguma urgência acontecesse. Isso significa que qualquer imprevisto pode causar um colapso na reda familiar.

Ainda, somente 44% dos brasileiros dizem fazer um orçamento detalhado das finanças. Cerca de 23% não realizam qualquer tipo de controle de gastos e a falta de organização pode estar diretamente ligada à renda insuficiente para despesas, criando um ambiente de estresse. Para 37% dos entrevistados, dinheiro é o maior problema da vida.

Metodologia e alcance do levantamento nacional

No estudo da Datafolha, 2.002 pessoas com 16 anos ou mais foram ouvidas. As entrevistas ocorreram em 117 municípios de diferentes regiões e o trabalho de campo aconteceu nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança da pesquisa atinge o patamar de 95%.

Os dados revelam que 45% dos brasileiros vivem sob forte pressão. Esse grupo se divide entre situação financeira "apertada" e "severa". Apenas 19% da população se classifica em condição leve ou sem restrições.

A renda insuficiente para despesas não é apenas um número estatístico. Ela representa a realidade de milhões de lares que enfrentam a inadimplência, com o custo de vida sendo o maior vilão do momento.


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